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Mafia:
The Old Country é o capítulo mais recente da franquia Mafia, desenvolvido pela
Hangar 13 e publicado em 2025 pela 2K. Desta vez, a série abandona as grandes
metrópoles americanas e mergulha na Sicília do início do Século XX, entregando
uma ambientação extremamente caprichada. A recriação da ilha italiana em 1904 é
um dos grandes trunfos do jogo, com vilarejos, vinhedos e paisagens áridas que
ajudam a sustentar o clima de origem da máfia — o “velho país” do título.
A
história acompanha Enzo, jovem trabalhador preso a uma realidade brutal em uma
mina de enxofre, onde divide o sofrimento com o amigo Gaetano. Sob o domínio do
cruel senhor Spadaro e de seu capataz Il Merlo, a vida ali beira a escravidão,
marcada por uma dívida impossível de quitar. A fuga de Enzo funciona como ponto
de virada, especialmente após um confronto direto que sela sua ruptura com
aquele passado. A narrativa ganha força quando ele é acolhido nas terras de Don
Torrisi, influente produtor de vinhos que ocupa uma posição de “Godfather” na
região (O Don) — uma figura que rapidamente se estabelece como eixo central da
trama.
Um
detalhe que merece destaque é a dublagem. Jogando em inglês, os personagens
carregam um sotaque italiano bem marcado, mas o jogo permite selecionar o
idioma siciliano para uma imersão ainda maior. É uma escolha ousada e
extremamente eficiente para reforçar autenticidade. Pequenos cuidados como esse
ajudam a sustentar o tom cinematográfico que a franquia sempre buscou.
Visualmente,
o jogo impressiona. No PS5 base, há modos de qualidade e desempenho; optando
pelo modo qualidade, com 4K a 30fps, a experiência combina bem com o ritmo mais
cadenciado e narrativo da campanha. A iluminação proporcionada pela Unreal
Engine 5, especialmente com o uso de Lumen, cria contrastes marcantes entre
ambientes internos mais sombrios e exteriores banhados por luz intensa. O
resultado é um cenário que frequentemente parece saído de um filme de época.
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A
estrutura segue o padrão da série: câmera em terceira pessoa, movimentação
tradicional com foco narrativo e uma valorização clara do furtivo. Enzo pode
caminhar, correr, se abaixar, saltar pequenos obstáculos e enfrentar inimigos
tanto com armas de fogo quanto com lâminas. O jogo incentiva abordagens
furtivas, recompensando o jogador que observa padrões de patrulha e elimina
adversários sem ser detectado.
As
facas, aliás, são parte central da identidade de The Old Country. Não servem
apenas para abrir baús, mas são ferramentas essenciais de combate. É possível
adquirir modelos diferentes, cada um com características próprias, mas há um
detalhe importante: as lâminas se desgastam e perdem o fio após certo número de
usos, exigindo que o jogador utilize pedras para amolá-las. A mecânica lembra
bastante o sistema de recursos de The Last of Us, inclusive no cuidado
estratégico com cada confronto.
Ainda
nessa linha, Enzo conta com uma espécie de “escuta aguçada”, ativada ao segurar
o direcional para cima, permitindo mapear a posição de inimigos próximos —
recurso que inevitavelmente remete às mecânicas de Joel e Ellie, de The Last of Us. Também é
possível arremessar garrafas para distrair guardas e criar oportunidades de
flanqueamento, além de esconder corpos abatidos discretamente, algo que dialoga
com a proposta mais tática vista em Hitman.
Quando
a discrição falha, entram em cena as armas de fogo. O tiroteio é sólido,
responsivo e oferece variedade suficiente para manter os confrontos
interessantes. Inimigos derrotados deixam munição e dinheiro, reforçando o
ciclo de progressão. A sensação geral é competente, lembrando em alguns
momentos o peso e a cadência vistos em Red Dead Redemption 2.
A
locomoção também reforça o período histórico. Boa parte dos deslocamentos
acontece a cavalo, com a possibilidade de usar esporadas limitadas para ganhar
velocidade, mecânica semelhante à de The Legend of Zelda: Breath of the Wild.
Há inclusive momentos específicos, como corridas, que exploram melhor essa
dinâmica. Os carros de época também marcam presença, mantendo a dirigibilidade
já característica da franquia, embora a ausência de um indicador de rota direto
na tela obrigue o jogador a consultar o mapa com frequência.
Embora
o mapa seja tecnicamente aberto, a estrutura é mais contida do que parece. Em
muitos trechos, o deslocamento ocorre ao lado de NPCs, limitando a exploração e
conduzindo o jogador por um caminho praticamente linear. Curiosamente, é
possível até pular certas viagens segurando o direcional para a esquerda. Essa
escolha não compromete a experiência, mas deixa claro que o foco está na
narrativa, não na liberdade irrestrita.
No
fim das contas, The Old Country é provavelmente o título de menor escopo da
franquia, mas isso não o impede de ser eficiente. Ele aposta no seguro, reforça
mecânicas já consolidadas e constrói uma jornada cinematográfica competente,
ainda que previsível em alguns momentos. Não há grandes revoluções aqui, mas há
execução sólida, identidade bem definida e um cuidado evidente com ambientação
e atmosfera. É aquele tipo de jogo que não tenta reinventar a roda, mas entrega
um pacote coeso e muito bem produzido dentro daquilo que se propõe a fazer.
MAFIA: THE OLD COUNTRY está disponível para PC, Xbox Series X/S e PlayStation 5.
Disclosure: Eu, Ricardo, redator do blog BansPodNerd, recebi uma cópia gratuita para review da loja Meu Game Barato.
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