PHANTOM BLADE ZERO: Primeiras impressões

 

Arte do jogo Phantom Blade Zero - Divulgação - S-Game

Se você acompanha o mercado de jogos asiáticos, provavelmente já ouviu falar de Phantom Blade Zero. Desde suas primeiras apresentações, o título da chinesa S-Game chamou atenção pela qualidade gráfica, pelas animações de combate e por uma estética que mistura artes marciais tradicionais, fantasia oriental e muita influência do cinema clássico de kung fu. Depois de algumas horas jogando, posso dizer que o game promete bastante. E o mais interessante é que, apesar de lembrar visualmente títulos como Black Myth: Wukong e Where Winds Meet, sua proposta de gameplay é bem diferente. Não estamos diante de mais um RPG de mundo aberto ou de um souls-like, mas de uma aventura de ação com combate cadenciado, extremamente ágil e cheio de possibilidades.

Antes de falar do jogo propriamente dito, vale conhecer um pouco da história por trás da desenvolvedora. A S-Game foi fundada por Qiwei Liang, conhecido pelo pseudônimo Soulframe Liang, e tem uma trajetória bastante interessante. Tudo começou quando ele ainda estudava arquitetura, primeiro em Pequim e depois na Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Insatisfeito com algumas dificuldades da vida acadêmica, Liang encontrou nos jogos uma maneira de escapar daquela rotina e decidiu desenvolver seu próprio projeto utilizando o RPG Maker.

Assim nasceu Rainblood: Town of Death, lançado originalmente em 2008. Desenvolvido praticamente sozinho, o jogo conquistou milhões de downloads na China de maneira orgânica. Era um RPG com combate por turnos e uma identidade visual sombria, desenhada à mão, que acabou chamando atenção muito além do esperado para uma produção independente. Em 2010, ganhou uma versão em inglês e se tornou um dos primeiros RPGs independentes chineses a alcançar o mercado internacional.

O sucesso permitiu que Liang retornasse à China, conseguisse investidores e fundasse oficialmente a S-Game. A sequência, Rainblood 2: City of Flame, chegou em 2011, expandindo o universo e refinando a narrativa e a jogabilidade. Depois veio Rainblood Chronicles: Mirage, em 2013, que marcou uma mudança importante na franquia. O jogo abandonou o combate tradicional por turnos e passou a apostar em uma experiência de ação lateral em 2D, muito mais rápida e com inspiração em franquias como Devil May Cry. Foi também o último título a utilizar o nome Rainblood.

Com a intenção de expandir o estúdio e conquistar o gigantesco mercado asiático de jogos para smartphones, Liang decidiu levar a franquia para os dispositivos móveis. Foi nesse momento que Rainblood passou a se chamar Phantom Blade. Vieram Phantom Blade 1, 2 e 3, além de Phantom Blade: Executioners. Embora esses jogos fossem praticamente desconhecidos do grande público ocidental, fizeram bastante sucesso na China, acumulando uma comunidade superior a 20 milhões de jogadores.

Phantom Blade Zero representa, portanto, a realização de um projeto muito maior: levar ao mercado internacional a experiência que o estúdio desenvolveu durante mais de uma década. Não é uma continuação direta nem um remake dos jogos anteriores, mas uma reimaginação moderna desse universo. Inclusive, alguns locais conhecidos pelos fãs dos primeiros títulos, como a cidade de Pang Town, foram reconstruídos inteiramente em 3D utilizando a Unreal Engine 5. É interessante acompanhar essa trajetória, porque estamos falando de um estúdio que começou com um desenvolvedor trabalhando sozinho no RPG Maker e agora apresenta uma produção de grande orçamento para PlayStation 5 e PC.

Mas vamos ao que interessa: como é jogar Phantom Blade Zero?

A primeira coisa que chama atenção é o combate. Visualmente, o jogo pode até lembrar um souls-like, especialmente por apresentar pontos de descanso semelhantes às fogueiras de Dark Souls. Aqui, entretanto, eles são representados por Sinos, que permitem salvar o progresso, realizar viagens rápidas e desbloquear habilidades utilizando um recurso chamado Poeira Vestigial. Mas não se deixe enganar pela semelhança visual, porque a estrutura é bem diferente.

Não temos aquele sistema tradicional de perder suas almas ou experiência ao morrer, nem os inimigos retornam simplesmente porque você ativou um ponto de descanso. A Poeira Vestigial também não funciona como moeda para distribuir pontos em atributos e aumentar força, vida ou resistência. Ela é utilizada para liberar habilidades, permitindo desenvolver as possibilidades de combate do personagem. Ou seja, existe uma estrutura de progressão que lembra os souls, mas a proposta geral é outra.

O sistema de combate tem algumas semelhanças com Sekiro, principalmente pela importância das posturas, dos bloqueios e do tempo correto para responder aos ataques adversários. Entretanto, Phantom Blade Zero é consideravelmente mais rápido e trabalha com uma combinação de ataques leves e pesados, combos e diferentes possibilidades de encadeamento. Eu diria que ele fica em algum lugar entre os souls e os hack and slash, lembrando um pouco os God of War mais recentes ou alguns dos bons jogos de ação e aventura que temos recebido nos últimos anos.

E existe uma diferença importante na filosofia do combate: aqui, o jogo não parece querer punir o jogador simplesmente por tomar a iniciativa. Em muitos souls-likes, sair atacando sem pensar pode significar uma morte rápida, porque cada golpe precisa ser calculado e as janelas de ataque são bastante limitadas. Em Phantom Blade Zero, você pode ser agressivo, combinar golpes leves e pesados e pressionar os adversários. Na verdade, o jogo parece até recompensar esse comportamento quando você consegue encaixar bem seus combos. Isso cria um ritmo muito interessante, porque os confrontos são cadenciados o suficiente para exigir atenção, mas rápidos e espetaculares para transmitir aquela sensação de combate cinematográfico.

A apresentação das lutas é outro grande destaque. Phantom Blade Zero segue a tradição Wuxia, com movimentos acrobáticos, golpes elaborados e confrontos que parecem coreografias de filmes de artes marciais chineses. Para quem ainda não conhece esse estilo, vale conferir nosso texto sobre Wuxia (link aqui), porque entender um pouco dessa tradição ajuda bastante a apreciar a proposta artística do jogo. Os combates parecem ter sido pensados para transmitir a sensação de assistir a uma grande sequência de ação do cinema asiático, com personagens executando movimentos impossíveis e trocando golpes em uma velocidade impressionante.

O primeiro chefe, ainda durante o prólogo, já me deixou bastante empolgado. É uma apresentação muito forte do que o jogo pretende entregar, tanto pela coreografia quanto pela maneira como o combate se desenvolve. Se o restante da campanha conseguir manter esse nível, teremos uma experiência realmente especial para quem gosta de jogos de ação.

Visualmente, Phantom Blade Zero também impressiona. A Unreal Engine 5 entrega cenários detalhados, iluminação muito bonita e animações que ajudam a dar ainda mais impacto aos confrontos. A estética oriental fantástica lembra bastante Where Winds Meet e Black Myth: Wukong, mas é importante não confundir a identidade visual com a proposta de gameplay. Enquanto esses títulos seguem caminhos mais próximos do RPG de ação, Phantom Blade Zero aposta em uma estrutura diferente, mais focada na ação e na progressão das habilidades de combate. Também gostei bastante do desempenho no PC. Consegui rodar o jogo de maneira muito satisfatória utilizando DLSS e geração de quadros, sem enfrentar grandes dificuldades de performance durante minhas primeiras horas.

Em relação à estrutura da aventura, temos um mapa, mas não estamos diante de um mundo aberto. Pelo que consegui perceber até agora, existem missões principais e aparentemente também atividades secundárias, embora ainda não tenha ficado totalmente claro como esse sistema funciona e qual será o nível de liberdade oferecido ao jogador. Prefiro não tirar conclusões precipitadas sobre esse aspecto antes de avançar mais na campanha.

Por enquanto, minhas impressões são bastante positivas. Phantom Blade Zero tem um combate que me deixou curioso para experimentar novas combinações, uma apresentação visual impressionante e uma identidade própria, apesar das inevitáveis comparações com outros grandes jogos asiáticos recentes. Gosto especialmente da decisão de não seguir simplesmente a fórmula dos souls-likes, oferecendo uma experiência mais agressiva e cinematográfica, mas sem abrir mão da necessidade de observar os adversários e dominar o ritmo das lutas.

O jogo promete muito e estou bastante empolgado para continuar a aventura. Ainda preciso avançar para entender melhor a estrutura das missões, a progressão e o desenvolvimento da história, mas o que vi até agora foi suficiente para me deixar com vontade de jogar cada vez mais. Volto aqui quando terminar a campanha para trazer uma análise completa e contar se Phantom Blade Zero consegue sustentar essa excelente primeira impressão.




Phantom Blade Zero foi lançado em 29 de outubro de 2026 para PlayStation 5 e PC (Windows).


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