BRASIL GAME SHOW: Em 2026, fomos ao evento como parte da equipe de imprensa - Veja o que achamos!

Logo do evento Brasil Game Show 2026 - Divulgação / BGS

Olá, leitores do BansPodNerd. Faz um tempo que eu não apareço por aqui, mas cá estou eu, 2 semanas depois da Brasil Game Show deste ano, trazendo um pouco sobre nossa experiência nesta última edição do “maior evento de videogames da América Latina”. Neste ano, o blog foi aceito como parte da equipe de imprensa, e tivemos a brilhante oportunidade de vivenciar os 4 dias de evento com muita garra e dedicação para cobrir o máximo de conteúdo possível. Divulgamos stories e gravamos entrevistas nos canais oficiais do BansPodNerd - e também do Contato Geek, o meu novo canal de conteúdo que iniciei lá em Janeiro - nos siga nas redes sociais para relembrar um pouco do que divulgamos no decorrer do evento! E claro, agradecemos muito à equipe do evento por nos aceitar como parte da imprensa. Com tudo isso em mente, e de acordo com o que uma galera comentou nas redes sociais durante e depois do final desta edição, temos que confirmar que a BGS foi, no mínimo, peculiar.


A distribuição do espaço dentro do pavilhão do Distrito Anhembi foi muito inesperada para um evento tão grande como a BGS, pois apesar de preencher todo o espaço disponível do pavilhão em si, deu para se perceber que estava tudo bem espalhado e que os estandes estavam pequenos - mas a maior surpresa foi a diagramação do mapa, que pareceu ter dividido o pavilhão em 3 partes iguais: um terço era da fila para entrada do público geral, localizada na parte interna do evento (algo que não critico, pois ninguém aguenta mais esperar numa fila no sol do meio dia para entrar em um espaço com ar condicionado), enquanto que entre os dois terços restantes de evento, um deles pareceu ter sido separado especificamente para a praça de alimentação, o que gerou bastante meme na internet falando que o evento estava voltado para gastronomia, e não para jogos eletrônicos


Isso agregou ao fato de que os visitantes pensaram que o evento estava vazio, com estandes reduzidos e sem a devida presente de estúdios grandes e internacionais do mercado de videogames, como a Sony e a Microsoft, donas da PlayStation e da XBOX, respectivamente. Os memes também usufruíram dessa situação para sugerir que o evento tinha voltado no tempo para os anos 90, onde empresas como a SEGA e a Nintendo dominavam o mercado - tendo como únicos concorrentes os jogos de fliperama, que coincidentemente também tomaram um bom espaço de presença no evento deste ano. Mesmo com esses apontamentos, não consigo dizer (na minha experiência como imprensa) que esse evento tenha sido “totalmente” abaixo do esperado. Admito que tiveram problemas, sim, e que o evento não está com todo aquele gás que apresentava ter, por exemplo, no seu aniversário de 20 anos em 2024, mas não é por isso que o evento estaria tão deplorável como muitas pessoas disseram na internet. Com isso, trouxemos 3 pontos positivos e 3 pontos negativos da BGS 2026, tentando apresentar isso da forma mais direta o possível.


Imagem do jogo Crazy Taxi: World Tour, anunciando mapa no Brasil - Divulgação / SEGA

PONTOS POSITIVOS


1: Presença de jogos novos e lançamentos futuros


Seja você da imprensa, cosplayer ou parte do público geral, não tem como negar que a BGS veio com tudo ao trazer videogames novos no mercado e/ou que ainda serão lançados nos próximos meses e/ou em 2027: Crazy Taxi World Tour; Stranger Than Heaven; Sonic Piko Park; LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight; Final Fantasy Resonance; Nintendo Switch Sports Resort; Donkey Kong Bananza; Alien Isolation 2; Persona 4 Revival; Call of Duty: Modern Warfare 4; Final Fantasy VII: Revelation e muitos outros estavam presentes naquele curto espaço de tempo no pavilhão, totalizando 18 jogos novos que tivemos a oportunidade de experimentar ao bel-prazer.


Claro que não consegui jogar tudo: mesmo com 4 dias de evento e optando por fazer várias coisas ao mesmo tempo, decidi não enfrentar algumas filas catastróficas, mas dos jogos que eu pude testar, eu curti muito o que vi - só tenho uma crítica à Nintendo por não ter disponibilizado o remake de The Legend of Zelda: Ocarina of Time, pois tenho certeza de que muitas pessoas gostariam de testar esse jogo clássico antes do lançamento, que será na semana que vem.


2: A diagramação dos estandes e o espaço para movimentação no evento


Sim, eu sei que muita gente reclamou disso, pareceu que o evento estava vazio e deu pra sentir a falta da Sony e da Microsoft, causando uma superlotação nas filas dos jogos principais (o que eu até concordo em partes), mas eu adorei a possibilidade de me movimentar com tranquilidade e praticidade no pavilhão. Nunca deu para sentir a devida lotação do evento, sempre deu para encontrar uma cadeira livre para se sentar na praça de alimentação (o que é um milagre para aqueles que se cansam de andar tanto em eventos) e não importa o quanto eu andava, não senti que eu estava realmente longe de nada.


A melhor parte disso é que não me deu aquele cansaço quando alguém diz “Ah, vamos lá para o espaço cosplay?”, ou “Nossa, vamos ver como está a fila nos jogos da SEGA” ou até “Quero comprar uma latinha de Monster, vamos ir até o estande deles?”. Já que tudo estava perto e ao mesmo tempo bem espaçado, perambular pelo evento foi extremamente agradável. Afinal de contas, dá para ver o evento todo em 30 minutos - e eu digo ver, não necessariamente fazer, porque mesmo com poucos estúdios, tinha muita coisa a se fazer por lá, como aproveitar as diversas oportunidades de jogos independentes e nacionais, que foi um espaço muito bem organizado neste ano.


3: Presença de personalidades internacionais


Tive a ótima oportunidade de tirar foto e conhecer de perto pessoas importantes para o mercado de videogames internacionais, como Kenji Kanno (criador da franquia Crazy Taxi) e Charles Martinet (voz original de vários personagens da franquia Super Mario). Mas certamente, o meu principal ponto positivo neste tópico foi rever Shota Nakama, musicista e criador da Video Game Orchestra! Toda vez que ele volta ao nosso país, traz consigo um show eletrizante e nos recebe com um enorme sorriso no rosto.


Eu não consigo pensar em forma melhor de terminar um dia de evento do que ver um show orquestral de diversas trilhas sonoras icônicas dos melhores videogames da atualidade - e Nakama trouxe um pouquinho de tudo: Final Fantasy, Chrono Trigger, Nier: Automata, Hotel Barcelona, Snake Eater, Melty Blood e muitas outras músicas com uma enorme pitadinha de rock instrumental. E claro, eu fico ainda mais feliz pela presença de músicas dos jogos de Sonic The Hedgehog na playlist, contando com 5 músicas compostas por Tomoya Ohtani de jogos como Sonic Unleashed, Sonic Frontiers e até Sonic The Hedgehog de 2006 (que apesar de ser um jogo horrível, possui uma das melhores trilhas sonoras da franquia do azulão)!


Vista aérea do Distrito Anhembi - Divulgação / Distrito Anhembi

PONTOS NEGATIVOS


1: Já cansei do Distrito Anhembi


Eu cansei, de verdade. Adoro que o espaço foi reformado recentemente e que ele tem tudo para ser um incrível centro de convenções, mas os valores não compensam: 90 reais por dia no estacionamento, espaço para alimentação caro, food trucks trazendo alimento de qualidade aceitável em combos de no mínimo 70 reais…


Muita gente tem reclamado do espaço muito antes da BGS sair do Expo Center Norte, mesmo depois das reformas. Os preços estão abusivos e tendo em mente que quase todo evento acontece aqui agora, tá ficando ruim para todo o público ter que pagar um preço elevado no ingresso e infelizmente aceitar os valores abusivos nas demais coisas que o espaço proporciona. O fato de quase todo evento grande nos últimos anos focado em cultura popular e coisas geeks acontecerem lá me enfurece de um jeito inesperado - e a presença dos vendedores ambulantes que ficam no metrô no meio da noite só mostra que a segurança do espaço poderia ser melhorada e me parece que, se não fosse pela credencial, qualquer um poderia entrar no evento à bel-prazer.


2: A organização (do espaço) do evento


Primeiro, acho que essa será a única crítica devidamente própria do evento por si só, as demais seriam mais consequências do local e do estado atual das coisas no mundo. E segundo, esse ponto negativo não é sobre a equipe da organização em si - afinal de contas, eu não tive nenhum problema sério por parte da equipe de funcionários que cuidam da organização do evento.


A crítica deste ponto é mais no fato de como tudo foi organizado - o que eu até destaquei como ponto positivo, mas como eu disse, foi em partes. Mesmo que o espaço estivesse bem aberto e ótimo para movimentação, acho que eles poderiam ter mantido essa sensação sem ter que deixar tudo TÃO espalhado. Metade do Anhembi parecia estar com vários espaços abertos que só eram preenchidos por versões gigantes e infláveis do mascote do evento ou estande eletrônico de compra para os ingressos do ano que vem.


Se a situação estava tão deplorável com a falta de estúdios grandes, eles bem que poderiam ter dado mais destaque para a área indie, talvez colocá-la mais próxima da SEGA e da Nintendo. Eles também poderiam simplesmente ter espalhado mais a área de alimentação, ou colocado outra coisa no meio do evento que não fosse o camarim cosplay. Ou até trocado ela de lugar com o espaço do Meet & Greet. 


Uma das minhas principais críticas (que aliás, sempre aparece em quase todos os eventos) é que eles colocam a área de entrevistas e conversas ao lado de um espaço com música ao vivo, o que simplesmente acaba com todo o sentido de ter um palco de entrevistas. Eles podiam ter cortado a presença do DJ ao vivo do lado do BGS Talks e depositar essa grana na iluminação do evento, porque tinham áreas onde as luzes estavam simplesmente apagadas - inclusive nas áreas onde os fotógrafos e os influencers estavam gravando seus conteúdos, o que é algo essencial para qualquer oportunidade de mostrar o melhor visual do seu evento…


3: O estado atual do mercado de videogames


Esse ponto é mais uma grande suposição / resposta do porquê o evento parecia tão precário em diversos aspectos quando ele ainda assim foi uma experiência bem “agradável” para alguns fãs novatos. 


Depois das polêmicas do meio deste ano envolvendo o fim das mídias físicas para o PlayStation 5, eu já esperava que a Sony não marcaria presença tão cedo assim em qualquer evento nacional, pois espero que apenas a menção da sua existência em quaisquer espaços acessíveis pelo público geral seria uma oportunidade para massacrar a empresa por conta de suas decisões anti-consumidores. Eu também já esperava algo semelhante da Microsoft, já que a situação da XBOX está bem ruim com a enorme quantidade de demissões e pelo fato dela ser comandada atualmente por uma CEO reconhecida pelos seus avanços tecnológicos no ramo das inteligências artificiais - o que é algo que muita gente já não suporta mais.


Com isso em mente, eu já sabia que a Nintendo e a SEGA seriam as principais marcas internacionais presentes na BGS deste ano - mas o sumiço do resto é realmente alarmante: Nada de Ubisoft, nada de Respawn, nada de Riot, nada de Atari, nada de Kojima Production, nada da galera de Genshin Impact ou de League of Legends, nada de um monte de empresas grandes no mercado - tirando as duas grandes citadas anteriormente, só tivemos a presença da Square Enix e da Devolver Digital. Até a Rockstar poderia ter aparecido por aqui se quisesse, mas acho que nem isso foi sequer cogitado pela galera do evento


Foto do mucisista Shota Nakama em show da Video Game Orchestra - Divulgação / BGS


VEREDITO


O cenário já está virando outro: Num mundo onde grandes empresas não querem mais fechar contrato de aparição presencial (como aqui no Brasil), fica muito mais fácil se juntar e fazer alguns anúncios em livestreams soltas pela internet - deixando que o jogador só descubra como o jogo funciona se ele pagar pelo preço cheio do produto durante o lançamento. Para aquelas que ainda querem trabalhar conosco, elas mal conseguem suportar nosso público e nos tratam com desdém ao disponibilizar só 5 minutos de gameplay atrás de filas com quase 2 horas de duração.


E as empresas começaram a se ligar de mais um outro fator: A BGS pode ainda ser “a maior feira de videogames da América Latina”, mas ela já não é mais a única no mercado - e por conta da crescente presença da BIG Festival (que digievoluiu para Gamescom Latam graças à Omelete Company há alguns anos atrás), agora a BGS perde cada vez mais fôlego em um mercado financeiro que está se esgotando exponencialmente. 


O mercado de games está passando por uma enorme crise, um fato recorrente quando notícias sobre IA fazendo decompilação de jogos e o encerramento da produção de mídias físicas estão constantemente presentes em nossos celulares. Isso causa medo e insegurança pra todo mundo - e ser gamer não está compensando mais, especialmente em solo brasileiro. Mesmo assim, os números não mentem: Os fãs estão indo na feira e querem aproveitar ao máximo o que ela fornece (mesmo que todos eles apenas consigam sentir dó e/ou nostalgia pelo o que a BGS um dia já foi).


Mesmo com essa minha crítica, eu não consigo pensar que o evento foi “péssimo” ou “horroroso”. Melhor do que nos últimos anos? De jeito nenhum, acho que está um pouco abaixo do esperado. Mas como fã de eventos e um enorme apreciador de videogames, eu, Marcelo, como redator e editor-chefe do BansPodNerd, gostei muito dessa minha nova experiência como imprensa e de aproveitar 4 dias interessantes ao lado de amigos na Brasil Game Show deste ano. Espero que no ano que vem, as coisas melhorem um pouco mais...


A review tá atrasada, mas chegou. E vocês, o que acharam da Brasil Game Show de 2026? Não deixe de seguir nosso conteúdo aqui no blog do BansPodNerd e nos acompanhar nas redes sociais (também no canal do Contato Geek)!

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