Quem acompanha o mundo dos portáteis gamer sabe que existe
um problema capaz de tirar o sono de qualquer dono desses dispositivos: bateria
estufada. E foi justamente isso que aconteceu com meu Ayaneo Geek. A
bateria começou a inchar a ponto de empenar o chassi do aparelho, transformando
o que deveria ser uma experiência tranquila de uso em uma preocupação real com
a segurança. Como comprei o console de segunda mão e ele já estava fora do
período de garantia oficial, entrei em contato com o suporte da AYANEO sem
grandes expectativas. Mas, para minha surpresa, essa história acabou se
tornando um excelente exemplo de como o pós-venda pode fazer toda a diferença
na relação entre uma marca e seus consumidores.
Ao entrar em contato com a equipe de suporte, expliquei o
problema e destaquei que não se tratava apenas de uma questão estética ou de
desgaste natural, mas de um risco de segurança. Afinal, uma bateria de lítio
estufada não deve ser ignorada, especialmente quando já começa a deformar a
estrutura do aparelho. Para minha grata surpresa, o atendimento foi conduzido
com muita seriedade e agilidade. Mesmo sabendo que eu não era o comprador
original, que o aparelho havia sido adquirido de segunda mão e que eu não tinha
a nota fiscal da compra original, a empresa reconheceu a gravidade da situação
e se dispôs a enviar uma bateria de reposição sem cobrar pela peça, como
cortesia para este review do BansPodNerd. Uma atitude que merece ser destacada,
principalmente considerando todas as dificuldades que nós, brasileiros,
enfrentamos para manter esse tipo de dispositivo funcionando.
É justamente aí que a AYANEO merece elogios. Em um mercado
no qual muitas empresas parecem interessadas apenas em vender novos produtos,
encontrar uma fabricante disposta a fornecer peças de reposição mesmo fora da
garantia é algo muito positivo. Essa postura conversa diretamente com pautas
como o Direito ao Reparo e a redução do lixo eletrônico: se o restante do
aparelho continua funcionando perfeitamente, por que descartá-lo por causa de
uma peça que pode ser substituída? Para quem acompanha o mercado de portáteis
importados, sabe que a manutenção pode ser um verdadeiro pesadelo. A ausência
de assistência técnica local, a dificuldade de encontrar componentes e os
custos de importação tornam qualquer reparo uma operação complicada. Por isso,
receber o apoio direto da fabricante foi fundamental para salvar meu Ayaneo
Geek.
Mas nem tudo saiu de graça. A bateria custaria cerca de US$
30, e consegui recebê-la sem pagar pelo componente graças à cortesia da AYANEO.
Ainda assim, precisei arcar com os impostos de importação, e é aqui que entra
uma das partes mais frustrantes dessa experiência. Para liberar a peça, paguei
aproximadamente R$ 92 de imposto federal, correspondente à alíquota de 60%,
além de cerca de R$ 60 de ICMS para o estado de Sergipe. No total, foram R$ 152
em tributos para receber uma bateria que custaria apenas US$ 30.
E tem um detalhe importante nessa conta: o ICMS foi
calculado considerando não apenas o valor do produto, mas também o imposto
federal. Ou seja, na prática, paguei imposto sobre imposto. Mesmo sendo uma
peça de reposição enviada gratuitamente pela fabricante, o processo de
importação continuou gerando uma cobrança considerável. Isso mostra como a
tributação e a logística podem transformar um reparo relativamente simples em
uma despesa significativa para quem mora no Brasil. Ainda assim, considerando
que a AYANEO forneceu a bateria sem cobrar pela peça, o custo final foi muito
mais administrável do que poderia ter sido se eu precisasse comprar o
componente por conta própria.
E, claro, depois que a bateria chegou, ainda veio a parte
divertida: desmontar o portátil. Não foi um procedimento tão simples quanto
abrir a tampa e trocar uma peça. Para chegar ao conector do cabo flexível da
bateria, precisei desmontar boa parte do aparelho, removendo componentes que
estavam no caminho, incluindo o SSD e a placa de Wi-Fi. É aquele tipo de
manutenção que exige paciência, cuidado e atenção, especialmente porque estamos
lidando com um dispositivo compacto, no qual tudo fica bastante próximo. Depois
de todo esse trabalho, finalmente consegui instalar a nova bateria e devolver
ao meu Ayaneo Geek sua condição normal de uso. Meu portátil estava salvo!
E vale lembrar por que eu queria tanto salvar esse aparelho.
O AYANEO Geek continua sendo um portátil extremamente interessante,
combinando hardware de computador com a praticidade de um console de mão. Ele é
equipado com um AMD Ryzen 7 6800U, processador de oito núcleos e 16 threads
baseado na arquitetura Zen 3+, acompanhado da GPU integrada Radeon 680M, com
arquitetura RDNA 2 e 12 unidades computacionais. É uma combinação que ainda
oferece bastante fôlego para rodar uma enorme variedade de jogos de PC,
incluindo muitos títulos AAA com os ajustes gráficos adequados, além de ser
excelente para emulação de consoles clássicos.
A configuração conta com 16 GB de memória LPDDR5 e um SSD
M.2 PCIe 3.0, com suporte a unidades de maior capacidade. A tela IPS de sete
polegadas oferece resolução de 800p, brilho de 400 nits e densidade de 323 PPI,
entregando uma experiência adequada para o formato portátil. Nos controles,
temos joysticks com efeito Hall, giroscópio e motor linear no eixo X. São
recursos que ajudam a compor uma experiência de uso bastante completa, tanto
para quem joga títulos modernos quanto para quem prefere explorar a vasta
biblioteca de jogos antigos.
A bateria original tem capacidade de 50,25 Wh, com suporte a
carregamento de 65 W e Windows 11 como sistema operacional. Na prática, é um
computador de mão bastante versátil, capaz de funcionar como uma máquina de
jogos e também como um pequeno PC para outras tarefas. A combinação de
desempenho, controles e possibilidades de conexão continua sendo um dos grandes
atrativos do Geek.
No fim das contas, essa experiência transformou o que
poderia ter sido uma grande frustração em um motivo a mais para confiar na
marca. Não vou dizer que todo o processo foi perfeito: a desmontagem deu
trabalho, e os impostos brasileiros pesaram bastante no custo final. Mas a
postura da AYANEO merece reconhecimento. A empresa poderia simplesmente ter
informado que o aparelho estava fora da garantia e encerrado o atendimento por
ali. Em vez disso, levou o problema a sério e me ajudou a conseguir a peça necessária
para continuar usando um dispositivo que ainda tem muito a oferecer.
Se antes eu já considerava o Ayaneo Geek uma máquina
fantástica por sua versatilidade e desempenho, agora também tenho uma boa
história para contar sobre o suporte da fabricante. Em um segmento no qual os
produtos são caros e a manutenção pode ser complicada, ter uma empresa disposta
a ajudar faz diferença de verdade. A AYANEO não salvou apenas meu portátil:
conquistou ainda mais minha confiança. E, para quem investe em um
dispositivo importado desse tipo, saber que existe uma equipe de pós-venda
disposta a ouvir o consumidor pode valer tanto quanto as especificações
impressas na caixa.

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