AYANEO: Exemplo de pós-venda, meu portátil foi salvo!

 

Ayaneo Geek - Divulgação - Ayaneo - Retroresolve.com

Quem acompanha o mundo dos portáteis gamer sabe que existe um problema capaz de tirar o sono de qualquer dono desses dispositivos: bateria estufada. E foi justamente isso que aconteceu com meu Ayaneo Geek. A bateria começou a inchar a ponto de empenar o chassi do aparelho, transformando o que deveria ser uma experiência tranquila de uso em uma preocupação real com a segurança. Como comprei o console de segunda mão e ele já estava fora do período de garantia oficial, entrei em contato com o suporte da AYANEO sem grandes expectativas. Mas, para minha surpresa, essa história acabou se tornando um excelente exemplo de como o pós-venda pode fazer toda a diferença na relação entre uma marca e seus consumidores.

Ao entrar em contato com a equipe de suporte, expliquei o problema e destaquei que não se tratava apenas de uma questão estética ou de desgaste natural, mas de um risco de segurança. Afinal, uma bateria de lítio estufada não deve ser ignorada, especialmente quando já começa a deformar a estrutura do aparelho. Para minha grata surpresa, o atendimento foi conduzido com muita seriedade e agilidade. Mesmo sabendo que eu não era o comprador original, que o aparelho havia sido adquirido de segunda mão e que eu não tinha a nota fiscal da compra original, a empresa reconheceu a gravidade da situação e se dispôs a enviar uma bateria de reposição sem cobrar pela peça, como cortesia para este review do BansPodNerd. Uma atitude que merece ser destacada, principalmente considerando todas as dificuldades que nós, brasileiros, enfrentamos para manter esse tipo de dispositivo funcionando.

É justamente aí que a AYANEO merece elogios. Em um mercado no qual muitas empresas parecem interessadas apenas em vender novos produtos, encontrar uma fabricante disposta a fornecer peças de reposição mesmo fora da garantia é algo muito positivo. Essa postura conversa diretamente com pautas como o Direito ao Reparo e a redução do lixo eletrônico: se o restante do aparelho continua funcionando perfeitamente, por que descartá-lo por causa de uma peça que pode ser substituída? Para quem acompanha o mercado de portáteis importados, sabe que a manutenção pode ser um verdadeiro pesadelo. A ausência de assistência técnica local, a dificuldade de encontrar componentes e os custos de importação tornam qualquer reparo uma operação complicada. Por isso, receber o apoio direto da fabricante foi fundamental para salvar meu Ayaneo Geek.

Mas nem tudo saiu de graça. A bateria custaria cerca de US$ 30, e consegui recebê-la sem pagar pelo componente graças à cortesia da AYANEO. Ainda assim, precisei arcar com os impostos de importação, e é aqui que entra uma das partes mais frustrantes dessa experiência. Para liberar a peça, paguei aproximadamente R$ 92 de imposto federal, correspondente à alíquota de 60%, além de cerca de R$ 60 de ICMS para o estado de Sergipe. No total, foram R$ 152 em tributos para receber uma bateria que custaria apenas US$ 30.

E tem um detalhe importante nessa conta: o ICMS foi calculado considerando não apenas o valor do produto, mas também o imposto federal. Ou seja, na prática, paguei imposto sobre imposto. Mesmo sendo uma peça de reposição enviada gratuitamente pela fabricante, o processo de importação continuou gerando uma cobrança considerável. Isso mostra como a tributação e a logística podem transformar um reparo relativamente simples em uma despesa significativa para quem mora no Brasil. Ainda assim, considerando que a AYANEO forneceu a bateria sem cobrar pela peça, o custo final foi muito mais administrável do que poderia ter sido se eu precisasse comprar o componente por conta própria.

E, claro, depois que a bateria chegou, ainda veio a parte divertida: desmontar o portátil. Não foi um procedimento tão simples quanto abrir a tampa e trocar uma peça. Para chegar ao conector do cabo flexível da bateria, precisei desmontar boa parte do aparelho, removendo componentes que estavam no caminho, incluindo o SSD e a placa de Wi-Fi. É aquele tipo de manutenção que exige paciência, cuidado e atenção, especialmente porque estamos lidando com um dispositivo compacto, no qual tudo fica bastante próximo. Depois de todo esse trabalho, finalmente consegui instalar a nova bateria e devolver ao meu Ayaneo Geek sua condição normal de uso. Meu portátil estava salvo!

E vale lembrar por que eu queria tanto salvar esse aparelho. O AYANEO Geek continua sendo um portátil extremamente interessante, combinando hardware de computador com a praticidade de um console de mão. Ele é equipado com um AMD Ryzen 7 6800U, processador de oito núcleos e 16 threads baseado na arquitetura Zen 3+, acompanhado da GPU integrada Radeon 680M, com arquitetura RDNA 2 e 12 unidades computacionais. É uma combinação que ainda oferece bastante fôlego para rodar uma enorme variedade de jogos de PC, incluindo muitos títulos AAA com os ajustes gráficos adequados, além de ser excelente para emulação de consoles clássicos.

A configuração conta com 16 GB de memória LPDDR5 e um SSD M.2 PCIe 3.0, com suporte a unidades de maior capacidade. A tela IPS de sete polegadas oferece resolução de 800p, brilho de 400 nits e densidade de 323 PPI, entregando uma experiência adequada para o formato portátil. Nos controles, temos joysticks com efeito Hall, giroscópio e motor linear no eixo X. São recursos que ajudam a compor uma experiência de uso bastante completa, tanto para quem joga títulos modernos quanto para quem prefere explorar a vasta biblioteca de jogos antigos.

A bateria original tem capacidade de 50,25 Wh, com suporte a carregamento de 65 W e Windows 11 como sistema operacional. Na prática, é um computador de mão bastante versátil, capaz de funcionar como uma máquina de jogos e também como um pequeno PC para outras tarefas. A combinação de desempenho, controles e possibilidades de conexão continua sendo um dos grandes atrativos do Geek.

No fim das contas, essa experiência transformou o que poderia ter sido uma grande frustração em um motivo a mais para confiar na marca. Não vou dizer que todo o processo foi perfeito: a desmontagem deu trabalho, e os impostos brasileiros pesaram bastante no custo final. Mas a postura da AYANEO merece reconhecimento. A empresa poderia simplesmente ter informado que o aparelho estava fora da garantia e encerrado o atendimento por ali. Em vez disso, levou o problema a sério e me ajudou a conseguir a peça necessária para continuar usando um dispositivo que ainda tem muito a oferecer.

Se antes eu já considerava o Ayaneo Geek uma máquina fantástica por sua versatilidade e desempenho, agora também tenho uma boa história para contar sobre o suporte da fabricante. Em um segmento no qual os produtos são caros e a manutenção pode ser complicada, ter uma empresa disposta a ajudar faz diferença de verdade. A AYANEO não salvou apenas meu portátil: conquistou ainda mais minha confiança. E, para quem investe em um dispositivo importado desse tipo, saber que existe uma equipe de pós-venda disposta a ouvir o consumidor pode valer tanto quanto as especificações impressas na caixa.

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