Code Violet claramente bebe de fontes muito conhecidas do terror em terceira pessoa, lembrando bastante Dead Space e Resident Evil, tanto na ambientação quanto em várias decisões de design. O sistema de combinação de itens para criar munição e itens de cura segue essa mesma cartilha, assim como o uso de pílulas de cores diferentes, que remetem diretamente aos clássicos da Capcom. O HUD é limpo e funcional, com o nivel de vida exibido no braço da protagonista, uma referência quase direta a Dead Space, e o inventário é limitado, porém organizável, o que adiciona uma camada estratégica interessante à gestão de recursos.
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Arte oficial do jogo Code Violet - Divulgação / TeamKill Media / Sony |
Infelizmente, boa parte dessas boas ideias esbarra em problemas técnicos e de acabamento difíceis de ignorar. Os personagens são robóticos, pouco expressivos, e a parte visual decepciona bastante: texturas em baixa resolução, sensação constante de baixa definição e um anti-serrilhado problemático que deixa a imagem serrilhada e piscando. Em vários momentos, a impressão é a de estar jogando algo da era PS3 ou Xbox 360, o que pesa ainda mais em um jogo lançado em pleno ciclo do PlayStation 5. Some a isso sons extremamente semelhantes aos de Dead Space, o que reforça a sensação de que o jogo vive à sombra de suas inspirações, sem conseguir estabelecer uma identidade própria sólida.
O jogo é totalmente em inglês e com legendas em português brasileiro para os diálogos, o que reforça a sensação de um produto lançado às pressas. E essa sensação se confirma conforme a experiência avança. Depois de ter sido adiado em dezembro, Code Violet claramente chegou em janeiro sem estar pronto. Os puzzles, por exemplo, são extremamente simples e repetitivos, lembrando aqueles desafios de apertar botões na ordem correta, quase como os banana-birds de Donkey Kong Country 3 no Super Nintendo, só que sem o mesmo charme ou criatividade.
Trailer de aúncio do jogo Code Violet - Divulgação / TeamKill Media / Sony
Os checkpoints são outro grande problema. Eles ficam longe, são mal posicionados e, combinados com bugs persistentes, acabam tornando a experiência frustrante. Apesar da ambientação até funcionar bem, com um clima claramente inspirado em Dead Space, o level design é pobre, com mapas vazios e pouca coisa relevante para fazer além de coletar skins. A câmera também atrapalha bastante, principalmente quando você está próximo das paredes, criando situações desnecessariamente confusas durante o combate ou a exploração.
Falando em skins, chama atenção a enorme importância dada à personalização visual da protagonista, com um foco exagerado em sensualização, além de skins para armas. Em contraste, elementos realmente importantes para a jogabilidade parecem ter ficado em segundo plano. O sistema de salvamento segue o padrão Resident Evil, com salvamento em telefones, salas seguras e baús de armazenamento, o que funciona bem, mas não compensa os problemas estruturais do jogo.
Outro ponto que levanta um alerta é o fato de a mídia especializada não ter recebido o jogo antecipadamente para cobertura. Quem jogou antes do lançamento oficial foi apenas quem fez a pré-compra e teve acesso um dia antes. Isso, historicamente, costuma ser sintomático. Mesmo após patches que corrigiram bugs realmente graves, como aquele que comprometeu minha experiência nas primeiras impressões, ainda restam muitos problemas que quebram o ritmo do jogo. Em cerca de meia hora, dois bugs diferentes me obrigaram a repetir quatro vezes a mesma região e uma boss fight, algo simplesmente inaceitável.
À primeira vista, alguém desavisado pode até achar que Code Violet é um exclusivo nível PlayStation Studios, mas isso passa longe da realidade. O preço praticado é de jogo AA, porém, na prática, estamos falando de um título indie. Isso ajuda a explicar parte dos problemas, especialmente considerando os desafios de se trabalhar com a Unreal Engine 5 em estúdios menores. Olhando por essa lente, muita coisa começa a fazer mais sentido, inclusive o fato de o jogo estar claramente mal posicionado em termos de preço.
A Sony não tem envolvimento algum com o projeto, e a escolha de lançar exclusivamente no PS5 parece ter sido uma decisão estratégica da TeamKill. É possível que o estúdio tenha evitado o PC por receio de mods envolvendo a protagonista (eles fizeram essa declaração), ou simplesmente não tenha orçamento para portar e otimizar o jogo para Xbox, optando pelo console com maior base instalada. Comparando com AILA (jogo indie brasileiro de terror, leia nosso review aqui), a análise fica mais justa. O jogo brasileiro de terror conseguiu lidar melhor com a Unreal Engine 5, teve mais proficiência técnica e, principalmente, um posicionamento de preço muito mais acertado. Vale, inclusive, conferir o episódio do Flow Games com o diretor de AILA explicando esses desafios.
No fim das contas, Code Violet foi publicado quebrado e inacabado. Ainda assim, existe um jogo ali, com boas ideias e uma ambientação que funciona. Se chegarem vários updates realmente consistentes, acompanhados de um reposicionamento de preço mais condizente com a realidade do projeto, as coisas podem fazer muito mais sentido. Talvez, assim, parte do hate que o jogo vem recebendo na internet se dissipe. Hoje, porém, é difícil recomendar sem muitas ressalvas.
Code Violet é exclusivo de PlayStation 5.
Agradecimentos ao pessoal da loja Meu Game Barato pela cópia disponibilizada para review.
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