RESIDENT EVIL REQUIEM: Primeiras Impressões

Arte do jogo Resident Evil: Requiem - Divulgação / CAPCOM

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Resident Evil 9: Requiem marca o retorno da franquia ao centro do survival horror em 2026, novamente sob direção de Koshi Nakanishi (Resident Evil 7: Biohazard) e com desenvolvimento e publicação da CAPCOM. Como décimo-primeiro título principal da série, o jogo funciona como sequência direta de Resident Evil 8: Village e amplia as consequências da destruição de Raccoon City quase três décadas depois da explosão retratada em Resident Evil 3: Nemesis.

A trama se passa em outubro de 2026 e apresenta Grace Ashcroft, analista de inteligência do FBI e filha de Alyssa Ashcroft, personagem conhecida de Resident Evil: Outbreak de PlayStation 2. O passado pesa: oito anos após o assassinato da mãe, Grace é designada para investigar mortes misteriosas de sobreviventes de Raccoon City, aparentemente ligadas a uma infecção tardia pelo Vírus T. A investigação a leva ao abandonado Hotel Wrenwood, local onde Alyssa foi morta. O que começa como uma apuração técnica rapidamente se transforma em pesadelo quando Grace descobre que vinha sendo monitorada há anos e acaba sequestrada por Victor Gideon, ex-cientista da Umbrella Corporation.

Paralelamente, Leon S. Kennedy — veterano da franquia desde Resident Evil 2 — entra em cena investigando a mesma sequência de eventos. A narrativa alterna constantemente entre Grace e Leon em uma linha temporal contínua, equilibrando dois tons distintos: vulnerabilidade e tensão extrema de um lado; ação mais direta e combates intensos do outro. Sem entrar em spoilers, dá para dizer que o enredo aposta forte em mistério e suspense, mantendo a curiosidade sempre acesa.

O próprio jogo recomenda abordagens diferentes de câmera para cada personagem: primeira pessoa com Grace (para intensificar o terror) e terceira pessoa com Leon (para valorizar a ação). Seguindo essa orientação, a experiência com Grace remete imediatamente aos jogos anteriores: BiohazardVillage (7 e 8, respectivamente) e a movimentação de sua câmera é propositalmente mais pesada e lenta, aumentando a sensação de fragilidade. Mesmo ajustando curvas de sensibilidade no analógico direito, o peso permanece — e tudo indica que faz parte da proposta atmosférica. Grace é vulnerável: pouca munição, foco em fuga, ausência de ataques físicos ofensivos. No máximo, ela consegue empurrar inimigos para tentar escapar.

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Com Leon, o clima muda bastante. A estrutura lembra muito o que vimos em Resident Evil 4 Remake: arsenal mais robusto, maior quantidade de munição e golpes físicos eficientes. Curiosamente, ele parece até mais poderoso do que em sua última aparição. Ainda assim, tanto Leon quanto Grace compartilham uma característica em comum: movimentação deliberadamente pesada, o que dificulta fugas fáceis e reforça a pressão constante durante confrontos.

Visualmente, Requiem demonstra evolução clara da RE Engine em relação ao jogo anterior: a iluminação e o detalhamento de cenários impressionam (embora no PS5 base seja possível notar certo serrilhado em elementos como cabelos, vegetação e cercas - nada que comprometa a experiência, mas perceptível). O pacote mantém a base clássica da franquia: inventário limitado, gerenciamento de recursos, chaves e ferramentas específicas para progressão, além do uso constante de lanterna para explorar ambientes escuros.

Há ainda opções interessantes, como a possibilidade de usar sensores de movimento do DualSense para mirar — recurso desativado por padrão. Preferi manter assim, mas é uma alternativa válida para quem busca precisão extra. Também existem novas mecânicas ao longo da campanha, embora seja melhor descobri-las jogando.

Um detalhe curioso é a modelagem facial de Grace (interpretada por Julia Pratt), que lembra bastante Rose Winters (Linde Baars) de Village e até a protagonista de Pragmata (cuja atriz não foi divulgada pela CAPCOM). Pode ser coincidência estética, pode ser identidade artística reforçada pela RE Engine — mas a semelhança chama atenção.

Lançado na última sexta-feira (27 de Fevereiro) para Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Windows e Xbox Series X/S, Resident Evil Requiem mostra que a CAPCOM segue confortável alternando terror psicológico e ação intensa dentro da mesma estrutura. Ainda é cedo para um veredito definitivo, mas as primeiras horas indicam um jogo tecnicamente sólido, narrativamente intrigante e fiel ao DNA da série — equilibrando medo e adrenalina na medida certa.

Disclosure: Eu, Ricardo, redator do blog BansPodNerd, recebi uma cópia gratuita para review da loja Meu Game Barato.

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