WHERE WINDS MEET: Mini-Review dos dois primeiros mapas

Arte do jogo Where Winds Meet - Divulgação / Everstone Studio

Where Winds Meet impressiona logo nos primeiros minutos pelo impacto visual. O mundo aberto inspirado na China do Século X é vasto, colorido e artisticamente ambicioso. Há momentos em que o jogo é simplesmente deslumbrante, com campos varridos pelo vento, templos antigos, cidades muradas e uma iluminação que varia de amanhecer dourado a tempestades dramáticas. Em vários enquadramentos, é impossível não lembrar de Ghost of Tsushima. Ainda assim, nem tudo mantém o mesmo padrão: em alguns pontos, texturas e modelagens parecem abaixo do restante do conjunto. Se fosse um AAA vendido a preço cheio, provavelmente haveria mais barulho sobre isso.

A ambientação é um dos grandes trunfos. O jogo se passa no turbulento período das Cinco Dinastias e Dez Reinos, após o colapso da dinastia Tang — uma era marcada por guerras civis, disputas regionais e transformações culturais profundas. É um cenário historicamente rico e naturalmente cinematográfico, e o estúdio claramente investiu para transmitir essa grandiosidade. Recentemente, inclusive, foi adicionada a opção de menus e legendas em português do Brasil, o que facilita bastante a imersão.

Mas se o mundo encanta, os sistemas podem assustar. Where Winds Meet é um RPG extremamente carregado de mecânicas. Há uma quantidade enorme de upgrades, recursos, armas, habilidades e níveis diferentes para administrar. Você evolui o personagem, evolui armas, desbloqueia e melhora habilidades, gerencia múltiplas árvores e ainda precisa lidar com um level geral que sobe mais lentamente e exige desafios específicos de combate para avançar. A sensação de estar perdido em menus e sistemas é até maior do que a que tive recentemente com Cyberpunk. É muita coisa para acompanhar.

A exploração é intensamente recompensada. Há baús, materiais, microeventos, missões secundárias e histórias espalhadas por todo o mapa. Para quem vem de algo como Assassin’s Creed, pode até soar exagerado o volume de recursos disponíveis. O jogo claramente incentiva o jogador a vasculhar cada canto, e isso se reflete também na diversidade de atividades. Há puzzles, acampamentos de bandidos, desafios opcionais e eventos dinâmicos que fazem o mundo parecer constantemente ativo.

Os puzzles merecem destaque. Alguns exigem leitura de textos em chinês, o que pode complicar para parte do público, mas o jogo compensa com um sistema de dicas deixadas no chão, lembrando as mensagens dos títulos da FromSoftware. Há também um sistema de “likes” entre jogadores, semelhante ao de Death Stranding, permitindo compartilhar orientações úteis. Em certos momentos, essas mensagens praticamente salvam a progressão.

O combate segue uma linha hack and slash com habilidades, rápido e fluido, lembrando algo entre Final Fantasy XVI e Lost Soul Aside. Não é extremamente técnico, mas é satisfatório e dinâmico. Existem também elementos de furtividade. O interessante é a liberdade de construção: é possível investir pesado em builds complexas, focar em PvP e mergulhar no aspecto mais hardcore do MMORPG, ou simplesmente jogar de forma casual, aproveitando a campanha solo. O jogo permite ajustar dificuldade, combate e até o estilo de exploração, o que torna a experiência bastante personalizável.

Mesmo sendo um MMORPG online, Where Winds Meet não obriga o jogador a se comprometer com grupos ou atividades cooperativas. É perfeitamente viável seguir sozinho, explorando o mundo no próprio ritmo. Essa flexibilidade é um dos seus maiores acertos.

O mapa é enorme e lembra uma mistura de Assassin’s Creed com The Witcher 3 em termos de densidade de conteúdo. Para desbloquear novas regiões, basta conversar com NPCs específicos, que revelam áreas e apontam os próximos objetivos — algo que remete ao sistema de descoberta de mapas em Elden Ring. Até agora, estão disponíveis Qinghe, onde tudo começa, e Kaifeng, que expande significativamente o escopo da narrativa, e tudo indica que novas regiões continuarão sendo adicionadas.

A história acompanha um jovem mestre da espada em busca de respostas sobre seu passado, iniciada com o roubo de um pingente de jade ligado à sua infância. O que começa como um mistério pessoal em Qinghe evolui para conspirações maiores e conflitos envolvendo artefatos ocultos em Kaifeng. Diferente de Destiny 2, por exemplo, o jogo não remove partes da narrativa com o tempo — o fio da história permanece acessível.

Outro ponto positivo é a presença de crossprogression entre plataformas. Jogando no PC e no PlayStation 5, é possível continuar o progresso sem problemas. No PC, especialmente no ultra, os gráficos são perceptivelmente superiores aos do PS5, principalmente em resolução e definição.

No entanto, existe um ponto que resume bem minha experiência inicial: o grind. Atualmente estou no nível 48, e a história simplesmente travou para mim até que eu alcance o nível 52. Isso significa investir uma quantidade considerável de tempo repetindo atividades para subir de nível. Foi aí que percebi que eu estava jogando de forma leve, sem o comprometimento quase religioso que muitos MMORPGs exigem. Essa barreira de progressão foi o principal motivo para escrever este review dos primeiros mapas.

Where Winds Meet é ambicioso, bonito e extremamente denso. É o tipo de jogo que muda constantemente, recebendo novos conteúdos, eventos e ajustes com uma frequência impressionante. Inclusive, é fácil imaginar que ele exija uma nova análise a cada poucos meses, porque até os menus e sistemas evoluem rapidamente. Resta saber se eu vou conseguir acompanhar esse ritmo — e chegar ao nível 52.

WHERE WINDS MEET está disponível gratuitamente para PlayStation 5PC e dispositivos mobile.

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