God of War: Sons of Sparta chegou completamente fora do radar. Anunciado e lançado de surpresa durante o State of Play da semana passada (no último dia 12 de Fevereiro), o novo capítulo da franquia abandona o padrão cinematográfico hiper-realista que marcou a fase nórdica e aposta em algo bem diferente: um metroidvania 2D com gráficos em estilo pixel art. A mudança estética é brusca à primeira vista, mas claramente intencional.
Desenvolvido
pela Santa Monica Studios em parceria com a Mega Cat Studios e publicado pela
Sony Interactive Entertainment, o jogo funciona como prelúdio de toda a
cronologia da série. A história nos leva de volta à Grécia, quando o protagonista Kratos e seu irmão Deimos ainda eram jovens guerreiros em treinamento espartano. O retorno de TC
Carson à voz de Kratos reforça essa conexão com a era clássica — anúncio que
veio acompanhado da confirmação dos remakes da trilogia original do PlayStation 2 e PlayStation 3.
Esse
movimento não parece isolado. Cada vez mais vemos grandes publishers entregando
suas IPs consagradas a estúdios menores para desenvolver projetos spin-offs ou
releituras dos clássicos - exemplos recentes incluem Silent Hill 2 Remake (fruto da parceria
entre a Konami e a Bloober Team), Streets of Rage 4 (produzido pela Lizardcube), Cadence of Hyrule (que expandiu o universo da série The Legend of Zelda com a ajuda da Brace Yourself
Games) e até o recente Blasphemous, da The Game Kitchen, que ganhou notoriedade e
passou a trabalhar com propriedades maiores.
Há
vantagens claras nessa estratégia. Mantém a marca ativa entre um grande
lançamento e outro, reduz riscos financeiros de projetos AAA gigantescos,
fortalece o cenário indie e ainda permite experimentar gêneros diferentes
dentro de franquias já consolidadas. Em vez de passar quase uma década
aguardando o próximo blockbuster principal, o público recebe novas histórias e
formatos que mantêm a série relevante — algo que também dialoga com o
crescimento de adaptações para cinema e streaming, como vimos recentemente com
The Super Mario Bros. Movie, Sonic The Hedgehog 3, Minecraft, Five Night's At Freddy's 2 e as séries live-action de Fallout e The Last of Us. Vale lembrar que teremos em breve uma série live-action de God of War, que já conta com a escalação de Ryan Hurst (Sons of Anarchy; The Walking Dead) como intérprete do Kratos.
No
enredo, acompanhamos o treinamento militar de Kratos na Agoge ao lado de
Deimos. Quando um amigo desaparece durante um exercício de campo, os dois
partem em uma jornada arriscada pelos territórios selvagens de Esparta. O que
começa como uma missão de resgate logo se transforma em confronto direto com
criaturas brutais e na descoberta de um segredo que ameaça o próprio lar dos
irmãos. É uma narrativa que adiciona camadas ao lore da franquia, explorando
uma fase pouco mostrada da vida de Kratos.
No
gameplay, a estrutura é familiar. Exploração lateral, mapa interconectado,
habilidades desbloqueadas progressivamente e áreas que exigem revisitas após
adquirir novos poderes. O combate envolve lança, escudo e os chamados Gifts of
Olympus, que garantem ataques especiais. O sistema de
salvamento e upgrades segue o modelo de “fogueiras” já popularizado em outros
títulos do gênero, permitindo evoluir equipamentos e aprender novas
habilidades.
Felizmente,
o jogo evita um dos elementos que mais dividem opiniões nos metroidvanias
modernos: as sequências de plataforma com saltos milimetricamente punitivos.
Quem não tem paciência para desafios no estilo de Celeste pode respirar
aliviado, já que aqui o foco está mais na progressão e no combate do que na tortura
por precisão extrema.
Visualmente,
apesar das piadas inevitáveis comparando a pixel art a clássicos da era 16-bit como
Disney's Aladdin, o resultado é bem mais elaborado do que os memes sugerem. Os
cenários são detalhados, com backgrounds ricos e atmosfera consistente. A
direção artística compensa qualquer estranhamento inicial de quem esperava
realismo de última geração.
Nas
primeiras horas, fica claro que Sons of Sparta não tenta reinventar o gênero - ele segue a cartilha tradicional dos metroidvanias 2D que dominaram o mercado
nos últimos anos: progressão sólida, habilidades destraváveis, combate
funcional e mapa que se abre aos poucos. O grande diferencial está no peso do
nome God of War e na curiosidade de explorar o passado de Kratos ao lado de
Deimos.
Para
fãs declarados do gênero, é uma recomendação fácil. Para quem ama a lore da
franquia, mas não está habituado com metroidvanias, vale ao menos testar — a
curva parece acessível. Agora, se o estilo 2D de exploração lateral
definitivamente não é sua praia, talvez seja mais interessante acompanhar a
história por vídeos mesmo. Como porta de entrada para o gênero, funciona; como
revolução, não. Ainda assim, é um experimento interessante dentro de uma das
IPs mais fortes da Sony.
GOD OF WAR: SONS OF SPARTA está disponível exclusivamente no console Playstation 5.
Agradecimentos ao pessoal da loja Meu Game Barato pela cópia disponibilizada para review.
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