PERCY JACKSON E OS OLIMPIANOS: Série termina seu primeiro ano com uma jornada digna dos deuses do Olímpo

Percy Jackson (Walker Scobell) com trajes de batalha em cena de 
Percy Jackson e os Olimpianos / Reprodução / Disney

A Disney recentemente finalizou a primeira temporada da série live-action de Percy Jackson e os Olimpianos, adaptação audiovisual da aclamada saga de literatura de Rick Riordan, compilando o conteúdo do seu primeiro livro, intitulado “Percy Jackson e O Ladrão de Raios”.

Vale lembrar que a saga já teve uma adaptação há quase 14 anos atrás, com o filme Percy Jackson e O Ladrão de Raios de 2010, protagonizado por Logan Lerman e dirigido por Chris Columbus, mesmo diretor dos dois primeiros filmes da saga Harry Potter. O filme foi recebido com notas medianas pela crítica geral por se tratar de mais uma aposta de adaptar uma famosa saga literária infanto-juvenil (e eu admito que gostei também, principalmente por ter sido a única produção da saga que eu consumi antes do lançamento da série), mas muitos fãs da história original ficaram magoados com as diversas mudanças da trama, a maioria delas realizada por Columbus, que certamente teve um maior controle criativo em comparação à produção dos filmes do nosso querido bruxinho.


A “falta de respeito” com o material original fez os corações de todos os semideuses ao redor do mundo clamarem por uma nova tentativa, uma adaptação mais fiel às histórias que eles tanto amam. Agora, depois de tantos anos, essa nova tentativa que eles tanto pediram chegou ao fim (por hora, ainda estamos esperando pelo anúncio de uma segunda temporada), e parece que o resultado final se tornou algo digno da história original (ou pelo menos, mais digno do que a primeira adaptação).


Rick Riordan, criador da série literária, em premiere da série 
Percy Jackson e os Olimpianos/ Reprodução / Getty Images

A inclusão do próprio criador da saga na produção da série serviu para consolidar essa versão da história e atiçar o interesse dos fãs. Riordan sempre pareceu bem animado com a oportunidade de concretizar esse novo formato para sua história e de ter essa nova chance de recontar a saga por completo, mesmo que fosse alterando umas coisinhas ao longo do caminho (como alguns furos de roteiro que há anos os fãs têm percebido na história original).


Além disso, como podemos ver principalmente no documentário Uma Viagem Heroica: Nos bastidores de Percy Jackson, lançado junto do episódio final na plataforma da Disney +, a equipe toda se dedicou para retratar essa mística jornada em uma aventura memorável, o que eu acredito ter sido um sucesso. A história está lá, o conteúdo original foi bem retratado, os pontos principais foram abordados e tudo isso com um nível de qualidade técnica excepcional, mas acredito que muita gente estava lá pelo principal motivo de ver os personagens serem interpretados da forma que eles deveriam ter sido desde o começo. 


Da esquerda para direita: Grover (Aryan Simhadri), Percy (Walker Scobell) e Annabeth (Leah Jeffries) em cartaz da série 
Percy Jackson e os Olimpianos / Divulgação / Disney

E é nítido em todo o processo desta primeira temporada que o maior acerto da equipe foi no elenco principal: Walker Scobell, Leah Jeffries e Aryan Simhadri foram escolhas certeiras pro trio dos semideuses e fica claro porque Riordan percebeu isso: desde as primeiras entrevistas até o resultado final do documentário, eles não param de ser quem são para se transformar nos personagens, eles já podem ser considerados a encarnação viva de Percy Jackson, Annabeth Chase e Grover Underwood, respectivamente! Até os parentes das crianças foram entrevistados no documentário e eles mostraram, em meio à lágrimas de orgulho e expressões de felicidade, o quanto seus filhos batalham por esse papel ao ponto de ser natural para eles emanar essas interpretações espetaculares. 


Mas mesmo com um elenco exemplar e com o auxílio de Riordan (ou até mesmo por conta desse segundo fator) a série peca em alguns pontos cruciais no desenrolar da trama, não apenas no conteúdo mas também na disposição dele no começo da série. Boa parte do enredo original se mantém, mas pedaços foram cortados ou readaptados certamente para seguir as diretrizes do “family friendly” da Disney, e isso pesa na história como um todo. Parece que, para remendar certas coisas, pulamos de ponto importante a ponto importante nos primeiros episódios da trama, sem que esses pontos tenham o tempo necessário para serem trabalhados ou compreendidos por todos os novatos ao universo.


Sally Jackson (Virginia Kull) e Poseidon (Toby Stephens) em uma das cenas mais cativantes de 
Percy Jackson e os Olimpianos / Reprodução / Disney

Adicione à isso diversos fade-outs, cortes de cena para um fundo preto que acontecem sem aviso prévio no decorrer desses pontos importantes (que poderiam ser trocados por uma cena adicional para mesclar melhor algumas ideias trabalhadas) e o resultado se torna algo incômodo, como se você estivesse andando descalço na grama e em algumas partes do trajeto existisse uma única peça de LEGO na qual você não consegue evitar de pisar. E quando ela sai do seu pé, você sente, lá no fundo da sua alma, que você vai pisar nela de novo, e de novo, e de novo, mas não como algo recorrente e sim como algo que vai estar lá quando você menos espera.


Talvez a equipe da edição decidiu “acelerar” a trama mais do que deveria por essa ser a segunda tentativa de adaptar o primeiro livro, ou talvez oito episódios fosse muito pouco para tecer com maestria e cautela a narrativa da forma que ela deveria ser, ou pode até ter sido por questão dos cortes de conteúdo menos “family friendly”, exatamente por se tratar de uma produção da Disney. Enfim, seja lá qual for o motivo, dá pra perceber que a trama foi corrida e mal compilada (pelo menos nos primeiros episódios), o que pesa também nas cenas que necessitam de maior impacto, como a chegada ao Acampamento Meio-Sangue, o confronto contra a Quimera e até a jornada pelo submundo.


Zeus (Lance Reddick), Percy (Walker Scobell) e seu pai, Poseidon (Toby Stephens) em foto promocional de 
Percy Jackson e os Olimpianos / Reprodução / Disney

Por fim, mesmo que os ventos não estivessem ao nosso favor e algumas ondas foram maiores do que esperávamos, acho que esse barco aguentou o tranco e por muito pouco não conseguia atracar no cais. Percy Jackson e os Olimpianos pode não ter sido bem editado e nem tão épico quanto tantos esperavam, mas a essência pode ser pressentida em cada interação dos personagens e em cada escolha criativa em prol do bem maior. Agora, antes de ver se esse barco consegue aguentar uma nova jornada, precisamos saber se o capitão Mickey aceitará enfrentar o Mar de Monstros.


E vocês, caros semideuses? O que acharam do primeiro ano da série? Estão na torcida para o anúncio de uma continuação? Você pertence à qual chalé dentro do Acampamento Meio-Sangue? Comente conosco nos comentários e nos siga nas redes sociais!

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