LANTERNAS: Quinto episódio trouxe vilão humanizado e bota em xeque todo o destino de John Stewart

Recorte de cena do quinto episódio de Lanternas - Divulgação / DC Studios / HBO

Aproveitando o lançamento da nova série da DC Studios, Lanternas, que terá seus 8 episódios lançados semanalmente no canal da HBO e na plataforma de streaming HBO Max, decidimos trazer uma rápida review semanal de cada um dos episódios lançados nesta primeira temporada. Hoje vamos falar do quinto episódio, chamado de “Luzes Apagadas” (Avisaremos quando falarmos de spoilers).


Para começar, logo de cara, nós do BansPodNerd não sabemos o que vai acontecer nos próximos 3 episódios restantes desta primeira temporada, mas até o momento, esse foi o melhor episódio da série. Finalmente recebemos respostas concretas e ações necessárias que consolidaram, nestes breves 50 minutos, todas as dúvidas e expectativas construídas nos episódios anteriores.


Agora sabendo quem é a pessoa na cidade fictícia de Rushville se passando como o Caçador Cósmico, Hal Jordan (Kyle Chandler) decide abruptamente tirar John Stewart (Aaron Pierre) da jogada e tomar o crédito pela captura do “vilão”, assegurando seu lugar novamente como um dos guerreiros dos Guardiões de Oa. Com todas as peças posicionadas no tabuleiro, Hal elabora uma cortina de fumaça para distrair as duas frotas de combate nesta luta (os aliens liderados por Antaan [Paul Ben-Victor] e a milícia comandada por William Macom [Garret Dillahunt]) enquanto ele captura Zoe (interpretada por Poorna Jagannathan) e tira todas as chances de John tomar o seu lugar. Do outro lado, John é salvo por Zoe e a mesma explica suas visões e seus ideais frente à toda a sua existência - colocando na mesa todas as mentiras que foram ditas para Stewart (seja pela guardiã Lianna [Laura Linney], seja pelo Hal, seja pela própria Zoe) e como elas moldaram essa tentativa absurda dele tomar posse do anel, como fôra treinado a fazer por toda a sua vida, fazendo-o questionar qual seria o real motivo por trás de tudo isso.


Trailer final de Lanternas - Reprodução / Youtube / DC Studios / HBO Max

O vilão principal se mostra como um personagem totalmente humano, mesmo sendo um robô de destruição criado pelos Guardiões de Oa há milênios atrás - e ele ainda tem todo o poderio militar intergaláctico para fazer o estrago que bem entender a fim de se proteger do alcance dos lanternas. E enquanto isso, as ações dos episódios anteriores coloca a rivalidade entre os protagonistas no ponto de ebulição, fazendo Jordan e Stewart brigar na base do soco pelo anel enquanto Antaan e Macom destroem a cidade sem dó nem piedade, revelando a resiliência da comunidade em entregar suas vidas pela segurança do seu salvador cósmico milagroso. No fim, temos uma reviravolta satisfatória que faz todo o sentido para o enredo construído até aqui, moldando por completo a jornada de Stewart no futuro.


Não iremos dissertar muito sobre os acontecimentos deste episódio além disso, mas é inegável que a série trabalhou a narrativa desta parte como sendo uma conclusão exemplar para toda a primeira parte da aventura contada nesta temporada. O mistério de 2016 se conclui aqui, agora falta a gente saber mais sobre o que acontece com Hal e John em 2026, e quais consequências desta guerra causaram os problemas no tempo atual do DCU.


Antes de qualquer spoiler, já lhe pergunto: o que achou deste quinto episódio de Lanternas? Curtiram as interpretações de Kyle Chandler e Aaron Pierre? Não deixe de seguir nosso conteúdo aqui no blog do BansPodNerd e nos acompanhar nas redes sociais!


Recorte de cena do quinto episódio de Lanternas - Divulgação / DC Studios / HBO




SPOILERS A PARTIR DAQUI


Zoe, ou o Caçador Cósmico, como já conseguimos perceber desde o último episódio (ou desde o começo da temporada, para alguns fãs mais astutos), é devidamente humanizado no decorrer da série, trazendo uma leveza para a personagem em tela que te faz questionar, a todo o momento, se ela é realmente um robô sem alma e programada apenas para exercer a justiça nua e crua no universo, como os Guardiões um dia a-fizeram. A interpretação de Jagannathan é direta e extremamente cativante, ela possui uma enorme liberdade criativa para demonstrar o pesar dos anos escondida como o elo mais fraco da comunidade e todo o seu ressentimento pela morte de Abin Sur, mas ela não deixa de mostrar seu lado frio e calculista na hora de cobrar os diversos favores ao redor da cidadezinha pequena no estado de Nebraska. 


Aliás, a cidade de Rushville se mostra mais unida do que nunca ao proteger a residente intergaláctica, mostrando até que a milícia dos Macom criou diversos armamentos com o objetivo de impedir a chegada dos Guardiões na cidade, mas os episódios anteriores mostram que isso certamente não deu certo. Desde o cidadão mais normal desta cidade pacata até as forças policiais comandadas por Kerry Kane (Kelly MacDonald), parece que todos devem suas vidas pelo Caçador Cósmico, e mesmo compreendendo as calamidades que devem seguir para a proteção de Zoe, todos já estão na chuva, então estão prontos pra se molhar de qualquer forma. A teia de aranha do Caçador já capturou todos os personagens secundários dessa trama, e ela tenta coletar mais um para esse emaranhado de dívidas e favores: John Stewart, ao salvar a vida dele de uma explosão e prometê-lo a coleta do anel, diretamente do cadáver de Hal Jordan.


Recorte de cena do quarto episódio de Lanternas - Divulgação / DC Studios / HBO

Mesmo sabendo que todas as cartas estão à seu favor, Jordan ainda se apresenta de forma extremamente desesperada neste episódio, lutando com tudo o que tem para achar o Caçador e prendê-lo antes que a bateria do seu anel acabe por completo - o que acontece. Em sua busca, descobrimos um pouco mais do personagem Antaan e sua relação com o Caçador, que atiçou ele em seu planeta natal e fez a mesma teia de favores que está fazendo agora na Terra, incluindo umas conexões mais profundas, se me permitem dizer. No fim, a frota de alienígenas kamikazes de Antaan conseguem destruir as forças de Macom e o patriarca da família, interpretado pelo Dillahunt, entrega tudo de si até o fim de sua vida, se sacrificando novamente pela sua salvadora, que lhe entregou alguns ótimos momentos extras de vida. Agora é esperar para ver se esse personagem pode voltar à vida de novo como o Mão Negra, como tantos outros fãs já especularam na internet.


Por outro lado, Antaan e os demais guerreiros de sua antiga raça alienígena também decidem se sacrificar pela vingança, possivelmente destruindo todas as possibilidades dele retornar (ou se revelar) como o personagem Atrocitus, o líder dos Lanternas-Vermelhas. Por bem ou por mal, eu gostei bastante da interpretação do personagem de Ben-Victor na sua introdução durante o episódio 2, e queria ter visto mais dele - mas ao mesmo tempo, o fim de sua jornada foi bem explicado e bem idealizado, servindo como mais uma vida que Hal infelizmente terá que botar na sua consciência. 


E voltando ao lanterna veterano, ele sofre bastante neste episódio, como lutar no meio de uma armadilha de matéria escura, tentar defender a cidade do armamento intergaláctico dos Macom, derrotar a Zoe e confrontar a xerife Kane, que finalmente revela já saber de tudo o que estava acontecendo desde o começo - inclusive a identidade real do Caçador, que salvou sua vida 10 anos antes de toda a destruição acontecer. Isso bota os sentimentos da xerife para com Hal em xeque, já que a tensão romântica sempre esteve lá, mas não sabemos ao certo se algo daquilo sequer foi real quando Kane jurou, há tanto tempo atrás, proteger sua salvadora de um destino já cravado na pedra.


Recorte de cena do quinto episódio de Lanternas - Divulgação / DC Studios / HBO

Hal fica desgastado rapidamente por conta da batalha, e na hora de recarregar, ele confronta Stewart pela posse do anel na base do soco, e é uma cena emocionante que serve como a conclusão do arco desses personagens: o veterano cansado que já largou tudo o que acreditava só para manter seu posto e o novato que ainda luta pelo seu objetivo, mas já começa a entender que nem tudo o que é “certo” é o certo a se fazer. No final da briga, Hal usa o restinho de energia que tinha para proteger Stewart de uma explosão, e o júnior usa a oportunidade para atrair Zoe e acabar com a vida do Caçador Cósmico, tudo em prol da missão. Quando John pega o anel e a lanterna do Hal, junto do coração cristalizado de Zoe, ele finalmente percebe que os fins não justificam os meios e toda a destruição causada em Rushville não deveria ter sido o resultado para conseguir tudo o que lhe foi prometido por toda a sua vida.


Vendo o sangue em suas mãos, o personagem de Aaron Pierre possui um dos momentos mais impactantes da temporada - e ao mesmo tempo, a progressão mais natural e esperada de John Stewart, mas ainda que a narrativa da série já nos tenha apontado isso no episódio anterior, as palavras finais de Jordan apenas consolidam tudo: “Eles me substituíram. Eles vão substituir você.“ John, ao pegar o anel de Jordan e assassinar o Caçador, mesmo sendo o “certo” a se fazer, apenas auxiliou na continuação desse ciclo vicioso de dúvidas, manipulações, mentiras e consequências desastrosas pelo bem maior, o que foi exatamente o que levou Jordan a ser quem ele era neste ano da história: alguém desacreditado com a Ordem dos Lanternas-Verde, alguém que já não conjurava o Juramento com a convicção de que ele era verdadeiro e, como o próprio John falou para Lianne: "…isso acabou com ele. E ele nem deve lembrar porque quer tanto essa porcaria (de anel). Eu também não.”


John rejeita o título, rejeita as dores e as circunstâncias que o fez chegar até aqui, rejeita a manipulação dos Guardiões (assim como Hal tem feito), aceitando seguir seu próprio caminho pela primeira vez na vida e, se em algum momento no futuro ele quiser o anel de volta - ganhando-o por seu próprio mérito e não por uma promessa faraônica - apenas ele pode decidir o que fazer com essa possível conquista, e ele deve passar os próximos 10 anos descobrindo sua própria trajetória em um cenário onde ele esteve tão perto de ser o que o mundo ao seu redor queria que ele fosse. Agora, tendo o passado em mente, o futuro pode ser escrito. 2026 chega no próximo domingo, e o mistério por trás da morte (ou não) de Hal Jordan deve começar de vez. Até semana que vem!

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