1666 AMSTERDAM: Conferindo a DEMO

Arte do jogo 1666: Amsterdam - Divulgação - Panache Digital Games

Entre os vários anúncios da Summer Game Fest 2026, temos destaque para 1666: Amsterdam. O novo projeto da Panache Digital Games já desperta curiosidade apenas pelo nome envolvido em seu desenvolvimento. O estúdio é comandado por Patrice Désilets, criador da franquia Assassin’s Creed e diretor de clássicos como Prince of Persia: The Sands of Time, dois jogos que ajudaram a moldar a indústria moderna dos games de ação e aventura.

Durante a apresentação conduzida por Geoff Keighley, o trailer revelou um mundo sombrio, sobrenatural e carregado de mistério. A surpresa veio logo em seguida, quando os desenvolvedores disponibilizaram uma demonstração gratuita na Steam. Depois de conferir essa primeira amostra, dá para dizer que 1666: Amsterdam já conseguiu cumprir sua principal missão: despertar interesse pelo projeto.

A história nos leva para uma Amsterdã alternativa construída sobre riqueza, poder e forças ocultas. Nesse universo, entidades conhecidas como Originais existem há séculos, acumulando poderes que jamais deveriam lhes pertencer. É nesse contexto que surge Noa Brooklyn, uma jovem destinada a se tornar a Coletora, criada por Zaindaris para recuperar aquilo que foi tomado por essas entidades. A personagem possui características que remetem a uma espécie de bruxa, manipulando uma energia conhecida como Lux, extraída de carcaças de animais mortos e utilizada através de um bastão capaz de interagir com o ambiente.

A demonstração começa justamente em um ritual de iniciação dessa personagem. O jogador revive um animal morto e escolhe um gato que passará a acompanhá-la durante a aventura. É uma introdução extremamente eficiente para estabelecer o tom da narrativa. A atmosfera é pesada, misteriosa e bastante macabra, mas sem recorrer a sustos baratos. Tudo parece cuidadosamente construído para causar fascínio e desconforto ao mesmo tempo.

Visualmente, o jogo impressiona. A direção artística é fantástica e a qualidade gráfica chama atenção desde os primeiros minutos. A boa notícia é que essa qualidade aparentemente não vem acompanhada de exigências absurdas de hardware. Durante meus testes, a demonstração apresentou um desempenho bastante sólido no PC, sem problemas significativos de otimização.

Algumas mecânicas também aparecem rapidamente. Os gatilhos do controle são utilizados para analisar personagens, destacar elementos do cenário e interagir com objetos importantes. São sistemas simples, mas que ajudam a reforçar o aspecto investigativo da experiência. Ainda assim, fica evidente que a intenção da demo não é apresentar jogabilidade profunda.

Na verdade, esse é justamente o principal ponto de frustração dessa primeira demonstração. Depois de apresentar Noa, o jogo realiza cortes narrativos para diferentes épocas e personagens. Em determinado momento assumimos o controle de uma jovem que procura um professor para ajudar a decifrar um antigo texto de uma civilização perdida. A sequência acontece em uma biblioteca lindíssima e reforça a sensação de que estamos diante de uma narrativa cuidadosamente construída. Pouco depois, a história muda novamente de perspectiva, sugerindo uma trama complexa e cheia de mistérios.

O problema é que a demonstração parece mais interessada em vender sua ambientação, narrativa e qualidade visual do que propriamente mostrar como será jogá-la. Os trailers já revelaram sequências de combate envolvendo magia e confrontos sobrenaturais, mas nada disso está presente na demo. Como resultado, terminamos essa primeira experiência sabendo que o jogo possui potencial enorme, mas sem entender completamente como suas principais mecânicas funcionarão na prática.

Ainda assim, é difícil sair indiferente após jogar essa demonstração. A ambientação é fascinante, os personagens despertam curiosidade e a construção do universo parece extremamente promissora. Patrice Désilets claramente está apostando em uma experiência mais narrativa e atmosférica, algo que lembra a forma como grandes aventuras de ação costumam fisgar o jogador antes mesmo de apresentar todos os seus sistemas.

A data de lançamento definitiva ainda não foi anunciada, mas 1666: Amsterdam já confirmou chegada em acesso antecipado ainda este ano. Se a qualidade da narrativa conseguir acompanhar o nível da ambientação apresentada até aqui, podemos estar diante de uma das surpresas mais interessantes dos próximos meses.

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