O primeiro impacto é visual. Os gráficos são simplesmente
lindíssimos. A iluminação, a qualidade da água, a vegetação das ilhas, as
cidades e principalmente os efeitos climáticos impressionam durante
praticamente todo o tempo. É um jogo pesado, com ray tracing obrigatório, assim
como Assassin's Creed Shadows, mas felizmente a Ubisoft fez um excelente
trabalho de otimização. O suporte às tecnologias modernas de upscaling, geração
de quadros e resolução dinâmica permite que até computadores intermediários consigam
entregar uma experiência bastante satisfatória. Obviamente, para aproveitar
todo o potencial gráfico no máximo será necessário um PC mais robusto, mas é um
daqueles jogos que mostram muito bem o que a nova geração consegue entregar.
A jogabilidade também recebeu mudanças importantes. O
combate está muito mais fluido que no Black Flag original e até mesmo que em
Assassin's Creed Mirage. Enquanto antes o sistema era fortemente baseado em
esperar o ataque inimigo para aparar e contra-atacar, agora a sensação é mais
próxima de um hack and slash, embora a aparagem continue sendo importante.
Ferramentas como o arpão, a rasteira e o chute frontal deixam as lutas muito
mais dinâmicas e variadas. Assim como em Mirage e Shadows, os inimigos agora
possuem barra de vida e barra de postura, que precisa ser quebrada para
facilitar os confrontos, mas, diferentemente dos RPGs da franquia, não existem
níveis para os inimigos. Um soldado se comporta exatamente da mesma maneira
independentemente da região do mapa onde você esteja.
Uma novidade que gostei bastante foi a adaptação da mecânica
de piloto automático introduzida nos cavalos em Assassin's Creed Origins. Aqui,
obviamente, Edward não possui cavalo, mas o Gralha recebeu exatamente essa
funcionalidade. Basta marcar um destino no mapa e, segurando o botão Y no
controle de Xbox, o navio segue automaticamente toda a rota até o objetivo,
desviando das ilhas e navegando praticamente sozinho. Parece um detalhe
simples, mas melhora muito a exploração do enorme mapa marítimo e elimina aquela
necessidade constante de abrir o mapa para corrigir a rota. Chega a dar vontade
de imaginar como esse recurso teria sido fantástico também em Assassin's Creed
Odyssey.
A interface de equipamentos segue claramente o padrão
adotado em Mirage. As roupas continuam sendo praticamente cosméticas, enquanto
os atributos ficam concentrados nos equipamentos e nos berloques, mecânica que
também retorna nesta versão. O gerenciamento da build ficou mais limpo e
organizado, sem exagerar na quantidade de armaduras diferentes como aconteceu
na trilogia RPG.
O combate naval também recebeu melhorias. O Gralha continua
sendo um dos grandes protagonistas da aventura, mas agora conta com novas armas
e diferentes tipos de munição, tornando as batalhas marítimas ainda mais
interessantes. A evolução do navio permanece muito semelhante ao jogo original,
exigindo recursos, dinheiro e bastante exploração para comprar melhorias. O
mesmo vale para Edward. Continua sendo importante saquear plantações de cana,
capturar embarcações inimigas, explorar ilhas e acumular recursos para
fortalecer tanto o protagonista quanto o navio. O grinding continua presente,
mas faz parte da própria proposta da experiência.
A exploração continua sendo uma das maiores qualidades do
jogo. Há inúmeros colecionáveis, segredos, recursos escondidos e as
tradicionais músicas que a tripulação aprende durante a aventura, um detalhe
simples que continua dando um charme enorme às longas viagens pelo Caribe.
Felizmente, o remake preservou esse aspecto praticamente intacto.
Uma mudança importante foi a remoção completa das famosas
sequências da Abstergo no tempo presente, em que o jogador caminhava pelos
escritórios coletando documentos e descobrindo informações sobre a franquia.
Felizmente, esse conteúdo não desapareceu totalmente. Boa parte dessas
informações foi redistribuída em documentos escondidos pelo próprio mundo do
jogo, incentivando ainda mais a exploração para quem gosta da lore de
Assassin's Creed.
Se existe um ponto que realmente entrega a idade do projeto
original é o sistema de gerenciamento de missões. Diferentemente de Origins,
Odyssey, Valhalla, Mirage e Shadows, aqui não existe uma interface narrativa
moderna, organizada e ilustrada. O progresso da campanha fica escondido dentro
do Registro de Missões acessado pelo mapa e acaba sendo relativamente confuso.
Considerando todo o trabalho de modernização realizado no restante do jogo,
senti falta de uma atualização mais profunda nessa parte da interface.
Outra ausência importante é a DLC Freedom Cry. Segundo Paul
Fu, diretor criativo do jogo, a decisão foi manter o foco totalmente voltado
para a história principal de Edward Kenway. A expansão acabou ficando de fora
desta nova versão (uma pena!).
No fim das contas, Assassin's Creed Black Flag Resynced
passa uma impressão muito interessante. Parece ser uma forma de a Ubisoft
testar a receptividade do público aos remakes da franquia, principalmente
observando o enorme sucesso que Sony e Nintendo vêm obtendo revisitando seus
clássicos. A pergunta inevitável é por que começar justamente por Black Flag e
não pelos aclamados Assassin's Creed I ou II. Minha impressão é que um jogo
lançado em 2013 compartilha muito mais tecnologia com a atual geração da franquia,
tornando seu desenvolvimento menos complexo. A Ubisoft afirma que o original
serviu apenas como referência, mas já foi confirmado que as capturas de
movimento foram reaproveitadas, além de jogadores já terem encontrado alguns
bugs extremamente característicos do jogo de 2013, como o famoso "Holandês
Voador", ainda presentes nesta nova versão.
Se esse experimento comercial funcionar como imagino, acredito que veremos outros remakes chegando nos próximos anos. E, sinceramente, depois de jogar Black Flag Resynced, a vontade de revisitar Assassin's Creed II e até o primeiro Assassin's Creed com esse nível de qualidade técnica só aumenta. Enquanto isso não acontece, Black Flag Resynced entrega exatamente aquilo que os fãs esperavam: uma das melhores aventuras piratas já produzidas pela indústria dos videogames, agora com visual de nova geração, melhorias inteligentes na jogabilidade e sem perder a identidade que transformou o original em um dos capítulos mais marcantes da história da franquia Assassin's Creed.
Assassin's Creed Black Flag Resynced foi lançado em 9 de julho de 2026 para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X/S.

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