De olho no lançamento de Resident Evil Requiem (RE9), marcado para 27 de fevereiro desse ano, a Capcom resolveu aquecer o terreno colocando Resident Evil Village (RE8), lançado originalmente em 2021, tanto no Xbox Game Pass quanto na PS Plus. A movimentação não é casual. Além de ampliar o alcance de um dos capítulos mais elogiados da série recente, a iniciativa ajuda a reintroduzir personagens, conceitos e o tom que pavimentam o caminho para o próximo grande passo da franquia.
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| Arte do jogo Resident Evil Village - Divulgação / Capcom |
Resident Evil Village funciona como a
confirmação definitiva de que a Capcom encontrou um novo equilíbrio para a
série. Dando continuidade direta aos eventos de Resident Evil 7, o jogo
acompanha novamente Ethan Winters, mas abandona parte do foco intimista do
antecessor para apostar em uma experiência mais ampla e confiante. A sensação é
de que o estúdio já não está mais testando limites, e sim explorando com
segurança uma identidade que combina terror, ação e ambição técnica sem parecer
indecisa sobre o que quer ser.
A história começa em um breve momento
de tranquilidade que rapidamente desmorona, empurrando Ethan de volta a uma
jornada marcada por violência, perda e sobrevivência. A narrativa amplia seu
escopo ao incorporar uma mitologia mais elaborada, povoada por figuras quase
lendárias, experimentos científicos e forças que operam nos bastidores. Mesmo
mantendo o mistério característico da franquia, o enredo assume um tom mais
direto e cinematográfico, com cenas de impacto e uma progressão pensada para
manter o jogador constantemente em alerta.
A vila que dá nome ao jogo atua como o eixo central de toda a experiência, conectando áreas bastante distintas entre si. Castelos góticos, vilarejos em ruínas, casas isoladas, reservatórios sombrios e complexos industriais se encaixam em um mesmo espaço, criando uma estrutura coesa sem abrir mão da variedade. Essa organização permite que Village transite entre diferentes estilos de horror, indo do terror psicológico mais opressivo a sequências claramente voltadas à ação, sem que o jogo perca identidade ou ritmo.
Tecnicamente, Resident Evil Village é
uma demonstração clara da maturidade do RE Engine. Os ambientes são ricos em
detalhes, a iluminação contribui diretamente para a atmosfera e o trabalho
artístico aposta em uma estética europeia gótica que dá personalidade própria
ao jogo dentro da série. As animações, especialmente as faciais, reforçam o
peso dramático das cenas, deixando claro que o avanço visual não existe apenas
para impressionar, mas para servir à narrativa e à imersão.
Na jogabilidade, o título expande as
bases lançadas em Resident Evil 7 ao resgatar elementos clássicos da franquia.
Há mais armas, maior variedade de inimigos e um sistema de gerenciamento de
recursos que exige planejamento constante. O combate aparece com mais
frequência, forçando o jogador a decidir quando vale a pena enfrentar uma
ameaça e quando é melhor economizar munição e evitar o confronto. O sistema de
melhorias de armas e o cuidado com o inventário remetem diretamente aos
capítulos mais tradicionais da série. Embora tenha sido concebido originalmente
em primeira pessoa, Village também pode ser jogado em terceira pessoa graças a
uma atualização posterior, o que amplia ainda mais as possibilidades de
experiência.
Os inimigos e antagonistas se destacam
não apenas pelo design visual, mas pela forma como cada um influencia o
gameplay. Cada região apresenta ameaças com comportamentos próprios, evitando a
repetição e reforçando a sensação de progressão. Os vilões centrais, por sua
vez, funcionam quase como símbolos das diferentes vertentes de horror
exploradas ao longo da campanha, deixando uma impressão duradoura muito além de
simples chefes de fase.
O trabalho de áudio é outro pilar
essencial da experiência. O uso preciso do silêncio, combinado a sons
ambientais e efeitos pontuais, cria uma tensão constante mesmo quando
aparentemente nada está acontecendo. Rangidos, passos distantes e ruídos
abafados mantêm o jogador em estado de alerta, enquanto a trilha sonora surge
nos momentos certos para amplificar confrontos e eventos narrativos. No
PlayStation 5, o suporte ao Tempest 3D AudioTech eleva ainda mais a imersão,
criando uma sensação espacial impressionante que realmente faz parecer que as
ameaças estão ao seu redor.
Ao final, Resident Evil Village se consolida como um dos capítulos mais ambiciosos e bem resolvidos da franquia. Ele consegue unir terror, ação e narrativa de forma coesa, respeitando o legado da série sem se tornar refém dele. Mais do que uma simples continuação, o jogo simboliza um momento de maturidade criativa para Resident Evil, provando que a franquia ainda sabe se reinventar e permanecer relevante.
Está disponível para PlayStation 4, PlayStation 5, Windows, Xbox One,
Xbox Series X/S, macOS, iOS e Nintendo Switch 2.
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