LANTERNAS: Terceiro episódio nos revela passado traumático de John Stewart

Recorte de cena do terceiro episódio de Lanternas - Divulgação / DC Studios / HBO

Aproveitando o lançamento da nova série da DC Studios, Lanternas, que terá seus 8 episódios lançados semanalmente no canal da HBO e na plataforma de streaming HBO Max, decidimos trazer uma rápida review semanal de cada um dos episódios lançados nesta primeira temporada. Hoje vamos falar do terceiro episódio, chamado de “Excluído”.


Quebrando novamente com a linha narrativa dos episódios anteriores, os minutos deste terceiro episódio são gastos nos apresentando toda a origem do personagem John Stewart, o lanterna-novato da série interpretado por Aaron Pierre. Usufruindo dos seus primeiros episódios, que já nos mostrou a interação deste personagem com seu “veterano” Hal Jordan (interpretado por Kyle Chandler, que mal aparece neste episódio) e como ele atua em prol de seu cotidiano conturbado de figuras de liderança, esse episódio serviu para nos mostrar como John se tornou o homem que conhecemos nas últimas semanas, apresentando uma jornada de legado construído por forças maiores e que querem testar o personagem para ver se ele é digno de se tornar o novo único Lanterna-Verde do setor 2814.


Até aí, tudo bem, um episódio tranquilo e normal que conta a narrativa de um dos personagens da série - mas o diferencial fica na forma que essa história é contada, através de um enredo não-linear mesclando momentos impactantes da vida de Stewart com uma entrevista de emprego comandada por Lianna, uma das Guardiões de Oa interpretada por Laura Linney.


Em prol dos pontos negativos que tenho sobre esse episódio, um deles está nessa falta de linearidade. Senti que tinha algumas coisas jogadas ali no meio que poderiam ter sido exemplificadas de uma forma melhor com uma sequência de ações e consequências que poderia ter ajudado o episódio - ou talvez, só mais uns 10 minutos de conteúdo extra para apresentar mais desse miolo da vida do John como um garoto excluído de sua própria família por conta dos traumas dos pais e da promessa de, algum dia, se tornar alguém digno de portar o anel dos Lanternas-Verde.


O segundo ponto negativo deste episódio também seria a falta de conectividade com o episódio anterior, que foi concluído em um gigante “cliffhanger” onde estávamos preparados para ver um grande avanço narrativo na jornada de Hal e John, mas tivemos esse inesperado episódio de flashback misturado com história de origem que poderia ter sido trabalhado de outra forma - tipo o que a série Arrow, da CW, fazia nas suas primeiras temporadas, mostrando o passado do Oliver Quinn (Stephen Amell) antes dele se transformar no Arqueiro Verde durante os tempos atuais.


E o terceiro grande ponto negativo que eu poderia apresentar desse episódio - e talvez da série até esse momento - é a falta de mais alguns efeitos especiais da mitologia dos Lanternas-Verde, ou até do DCU por exemplo. Um universo compartilhado onde os Lanternas e mais seres super-poderosos existem seria muito legal de se ver, mesmo no escopo reduzido dessa aventura, e ver que tivemos uma singela cena de uso do anel esmeralda ou a presença da Guardiã na sua forma verdadeira (ou melhor, apenas de suas costas) é um pouco broxante quando poderíamos ter tantas coisas legais acontecendo ao redor da jornada do John e envolvendo a mitologia na qual os seus pais lhe forçam tanto a se inserir.


Trailer final de Lanternas - Reprodução / Youtube / DC Studios / HBO Max

Tirando isso, o restante desse episódio foi magnífico. Mostrou uma nova origem do personagem para o DCU de James Gunn, trazendo o devido peso narrativo de suas experiências para se tornar o próximo portador do anel, exemplificando como os traumas dos parentes e de uma geração inteira de pessoas negras residentes dos subúrbios nos Estados Unidos moldam até os dias atuais aqueles que virão depois de nós, seja por um péssimo histórico sócio-cultural enraizado há anos por nós ou pela insignificância das emoções humanas para com o restante do universo - incluindo por parte daqueles que deveriam cuidar dele. Os pais do garoto (interpretados por J. Alphonse Nicholson e Jasmine Cephas Jones) são retratados de forma humana, profunda e tridimensional que bota em cheque toda a trajetória do personagem em um conto traumático de destino contra desejo, onde John se vê em uma encruzilhada emocional e psicológica infligida pelos pais em prol de uma única chance de se tornar um dos (senão o) maior herói da Terra, recebendo todo o respeito e reconhecimento como tal. 


E como foi dito pelo próprio youtuber e criador de conteúdo Mike Sant’anna, imagina colocar “um casal de pessoas negras (uma professora e um militar) com 3 filhos nos Estados Unidos da década de 80, e que de repente, uma entidade cósmica vêm para essas duas pessoas e diz: O seu filho (recém-nascido) pode ser a pessoa mais importante da Terra… se você treinar essa criança direito para ser melhor do que o pai dele foi, ele pode se tornar um adulto que vai ser a pessoa mais respeitada do planeta, mais do que aquele cara branco ali, na televisão (Hal Jordan), está sendo respeitado”. Em uma situação como essa, onde o próprio universo está te entregando uma chance minúscula e despretensiosa de que tudo pode dar certo se um dos seus progenitores seguir uma vida “sem medo” - e tendo em mente o contexto histórico - é inegável que qualquer pai e mãe fariam de tudo para garantir um futuro melhor para seu filho, não importando se os fins justificam os meios. Para todos aqueles que discutiram as decisões falhas e humanas dos pais de John Stewart como uma forma de tirania ou de paternidade tóxica, então eles pouco entenderam a narrativa retratada nesse episódio em específico.


Recorte de cena da série Lanternas - Divulgação / DC Studios / HBO

Por outro lado, vemos outro momento importante da narrativa de Stewart neste terceiro episódio: sua frustração com Hal Jordan e como as ações heróicas e inconsequentes de um “herói intergaláctico” fizeram com que ele fosse desonrado pelo governo americano como um de seus maiores soldados. Isso mostra que John não sente uma mera “indiferença” ao Hal por ele ser o atual portador do anel, assim como vemos que Hal (nos míseros minutos no qual ele aparece em tela neste episódio) já sente um ranço evidente nas decisões dos Guardiões ao colocar John como seu “novo recruta”, mostrando que sua intuição é impecável e logo de cara percebendo que John está lá para substituir o grande Lanterna-Verde da Terra.


Foram pontos específicos e bem diretos em prol de tudo o que aconteceu neste terceiro episódio, mas acho que foi para o melhor: se eles não iriam mesmo continuar o mistério de Rushville agora, a produção de um novo episódio totalmente desvinculado do anterior foi necessário, mesmo que tivesse quebrado a expectativa de todos que estão acompanhando a série e não viram os trailers - mesmo assim, se esse foi o resultado que eles encontraram, pelo menos apresentaram com maestria essa jornada de crescimento conturbado do destino de John Stewart para se consagrar como o principal Lanterna-Verde do DCU.


Não teremos nenhum spoiler grandioso no texto de hoje, então já lhe pergunto: o que achou deste terceiro episódio de Lanternas? Curtiram as interpretações de Kyle Chandler e Aaron Pierre? Não deixe de seguir nosso conteúdo aqui no blog do BansPodNerd e nos acompanhar nas redes sociais!

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