Aproveitando o lançamento da nova série da DC Studios, Lanternas, que terá seus 8 episódios lançados semanalmente no canal da HBO e na plataforma de streaming HBO Max, decidimos trazer uma rápida review semanal de cada um dos episódios lançados nesta primeira temporada. Hoje vamos falar do segundo episódio, chamado de “Queda de Confiança”, ou “Salto no Escuro”. (Avisaremos quando falarmos de spoilers).
Seguido do final inesperado do primeiro episódio, somos levados de volta à 2016 (como era de se esperar) para colocar Hal e John de volta nos trilhos do grande mistério alienígena na cidade de Rushville, no estado da Nebraska. Entretanto, de uma forma que ninguém esperava, o enredo da série usufruiu de uma técnica de roteiro bastante utilizada em várias narrativas midiáticas: separar seus protagonistas em aventuras paralelas para aprofundar seus desenvolvimentos individuais e abranger a história em pontos distintos que vão se conectar no final para evoluir o mistério principal a ser descoberto. Resumindo: Hal fala que o anel dele tá sem energia e pede para John voltar até sua casa em Coast City e pegar a lanterna para recarregar seu anel - e isso foi simplesmente genial, por dois motivos.
Primeiro. Sim, isso é uma tática de narrativa bastante utilizada em vários lugares: dividir para conquistar, separar o grupo para que cada um cumpra com diversas metas que precisam ser cumpridas - tipo algo que totalmente aconteceria em uma sessão de RPG. Entretanto, a surpresa fica no fato deles decidirem ter feito isso logo no segundo episódio da aventura, quando os dois lanternas deveriam estar focados em descobrir as primeiras pistas sobre o mistério e não se desviarem do objetivo (como até o próprio John falou no começo do episódio). Por isso a ideia deles separarem John e Hal logo assim, de cara, foi algo surpreendente.
Eu já imaginava que isso fosse acontecer uma hora ou outra, até para desenvolver mais da animosidade entre os dois, ou aprofundar mais da psique do Hal e do John paralelamente, quando eles não estão juntos. Mas da forma que a série fez foi perfeito - e inesperado para uma história que tem como principal objetivo apresentar esses personagens aos novatos. Separá-los agora foi uma jogada (na minha opinião) no mínimo arriscada, mas fez total sentido na trajetória do episódio - e para nós, que afirmamos tanto que a junção dos protagonistas e a interação entre os dois foi o ponto forte do primeiro episódio (e seria o foco central dessa temporada), ficamos espantados e profundamente aliviados pelo quanto isso deu certo.
Segundo. Essa foi uma forma ideal de apresentar um dos maiores pontos da mitologia dos Lanternas-Verde: o quanto esses personagens são incríveis - mesmo sem o anel. Na review passada, comentamos aqui que a narrativa do personagem vivido por Kyle Chandler traria a dúvida de “o que Hal seria sem o anel, já que ele não está mais no seu auge”. E acredito que isso caiu por terra, já que o personagem atua o episódio inteiro por conta própria e com um anel sem carga, sem a possibilidade de usar as artimanhas que um construto verde gigante poderia lhe proporcionar para desvendar uma conspiração alienígena.
No decorrer deste episódio, o veterano consegue descobrir pistas importantes e encontrar diversas inconsistências na cidade de Rushville sem precisar usar (ou pensar em) alguma coisa para ajudá-lo além de suas próprias mãos sequer uma vez, trazendo muito daquela narrativa “True Detective” que os roteiristas quiseram na série - sem perder a essência da mitologia ou ficar presa à ela. Hal está agindo de forma humana, direta, astuta e visceral, sem papas na língua, com naturalidade e muita perspicácia - e acima de tudo, nada vai pará-lo, mesmo ele sabendo que está sem a proteção do anel.
Já o personagem de Aaron Pierre faz muita coisa de escopo “simples” nesse episódio, como ir pegar a lanterna na casa do Hal, dar comida ao animal de estimação de seu mentor, aguentar umas pancadas de alienígenas disfarçados e refletir sobre a veracidade de Hal como alguém digno de treiná-lo (ou lhe contar a verdade). Em si só, tudo isso não parece ser muita coisa, mas a grandiosidade do personagem aparece ao nos provar que consegue fazer algo inimaginável para qualquer Lanterna-Verde: criar um construto tangível e mantê-lo vivo por horas ininterruptas, sem o uso do anel e até perdendo a consciência algumas vezes no decorrer do episódio. Um único passarinho verde, criado sem pretensão nenhuma e apenas da vontade de conseguir voar, nos provou algo que a série queria nos assegurar desde o começo: John Stewart será o Lanterna-Verde principal do DCU, ele veio pra ficar e tem todo o direito de estar entre nós.
Os demais personagens da série certamente marcam presença aqui, como os membros da família Macon (Billy, interpretado por Jason Ritter; William, interpretado por Garret Dillahunt e Zoe, interpretada por Poorna Jagannathan), mas o destaque deste episódio fica para a xerife Kerry Kane (Kelly Macdonald), que consegue botar um pouco de juízo no Hal com sua profunda presença na tela. Ela entende muito bem as coisas que estão acontecendo ao seu redor, especialmente toda a corrupção e pressão social exercida pelos membros da família do seu marido, que comandam a cidade por debaixo dos panos - e ela, sendo uma pessoa tão intuitiva quanto o lanterna-veterano, não vai negar ajudar Hal a entender mais sobre os problemas de Rushville, mas ela também não vai tentar evitar que tudo o que ela construiu de bom e digno nesta cidade seja desmanchado por conta de “um policial espacial que não sabe parar de meter o nariz onde não é chamado”.
É palpável e visível o quanto ela se importa com a cidade e seus cidadãos, deixando até algumas coisas passarem despercebidas pelo bem maior, mas consigo compreender que a evolução narrativa dessa personagem, se feita da forma correta, pode nos trazer uma história bastante profunda e agradável e que será digna de se juntar ao restante do elenco principal como um dos “pontos positivos” dessa primeira temporada. No momento, o jeito é esperar para ver, mas as expectativas estão altas.
Outro destaque que precisamos dar é para a curta presença do personagem interpretado por Paul Ben-Victor (que até o momento, de acordo com os créditos, tem o nome de Antaan). A presença dele neste episódio é minúscula, mas impactante e já nos prepara para o grande possível inimigo desta temporada: os Caçadores Cósmicos, ou Manhunters, que foram bem explicados pelo personagem misterioso em questão.
Ele serviu muito bem para avançar essa narrativa do John Stewart, de estar incerto com as ordens que ele recebe do Hal Jordan, ou a forma como ele repassa essas informações essenciais dos Lanternas-Verde para ele - e mesmo com essa missão cumprida, dá para se ver mais na interpretação do personagem de Ben-Victor: essa sensação de que é alguém marcado pela guerra e a severidade de suas ações não vão lhe impedir de exercer sua vingança, até mesmo chegando ao ponto de ameaçar um Lanterna-Verde (em treinamento) e implantar diretamente no consciente dele todo o trauma que sua espécie sofreu em meros segundos de intervalos de tempo. Estou ansioso para ver mais deste personagem e descobrir mais sobre o passado dos Caçadores Cósmicos dentro do DCU - e como isso deve se encaixar no futuro elaborado por James Gunn e Peter Safran.
Antes de qualquer spoiler, já lhe pergunto: o que achou deste segundo episódio de Lanternas? Curtiram as interpretações de Kyle Chandler e Aaron Pierre? Não deixe de seguir nosso conteúdo aqui no blog do BansPodNerd e nos acompanhar nas redes sociais!
SPOILERS A PARTIR DAQUI
Outro final de episódio satisfatório, trazendo um vislumbre positivo do que está por vir: Hal, trajando o uniforme de Lanterna-Verde, falando diretamente com Sinestro em um planeta-prisão no espaço sideral. Que maravilhoso! A série ainda tem muito caminho para percorrer ao ponto de nos trazer algo totalmente satisfatório e digno do escopo intergaláctico que esse show merece, mas todos os momentos que nos trazem um “gostinho que quero mais” são muito bem-vindos!
Hal levando um tiro à queima-roupa e roubando cadáveres do necrotério para ver se eram alienígenas também foram momentos icônicos para o personagem. E ainda tivemos uma breve referência à Mogo, o Lanterna planeta-vivo! Até semana que vem!


0 Comentários