Aproveitando o lançamento da nova série da DC Studios, Lanternas, que terá seus 8 episódios lançados semanalmente no canal da HBO e na plataforma de streaming HBO Max, decidimos trazer uma rápida review semanal de cada um dos episódios lançados nesta primeira temporada. Portanto, hoje vamos falar do primeiro episódio, chamado apenas de “Piloto” (Avisaremos quando falarmos de spoilers).
O episódio é muito bem dirigido, trazendo 3 momentos bem divididos na história dos nossos protagonistas da série, Hal Jordan (interpretado por Kyle Chandler) e John Stewart (interpretado por Aaron Pierre). Seguimos essa dupla inesperada de colegas em 1996, onde vemos a infância do John e como seu pai militar o treinou para que, algum dia, ele fosse um homem sem medo e pudesse seguir a carreira de seu “ídolo” Hal, o primeiro Lanterna-Verde da Terra; em 2016, onde vemos John mais velho e treinando para ser o próximo guardião da Terra (caso algo aconteça com Hal) - acompanhando também o herói veterano, que está intrigado com um possível ataque alienígena à uma cidadezinha pequena no estado de Nebraska (localizado no centro dos Estados Unidos); e em 2026, 10 anos depois deste incidente na Nebraska, onde os dois Lanternas precisarão possivelmente arcar com as consequências de seus atos no passado.
Mesmo tendo esses 3 pontos narrativos, a história desta temporada deve se passar com maior frequência no ano de 2016, já que saímos do primeiro episódio apenas com algumas peças de um elaborado quebra-cabeça que deve ser concluído nas próximas semanas. Na sua essência, a narrativa de investigação policial é bem no esquema de “houve algum problema e agora temos que identificar quem realmente causou isso”, algo bem simples (ou ao menos, é o que a série quer que a gente ache quando Hal e John chegam à cena do crime, onde o veterano já acredita que o pior pode acontecer e o novato só acha que a situação é algo mundano e normal demais para envolver quaisquer tipos de ameaças alienígenas).
Neste começo, já somos apresentados às principais peças que vão construir as bordas deste quebra-cabeça. Conhecemos uma policial durona que quer fazer o bem, mas já tem vários “alvos” nas suas costas (Kerry Kane, interpretada por Kelly MacDonald), um cara relaxado e bondoso que só quer ajudar, mesmo sendo tratado com desdém (Billy Macon, interpretado por Jason Ritter), um homem comum e carismático que claramente tá bolando algum tipo de plano “maligno”, mas não vai ser o pior dos males nessa loucura toda (William Macon, interpretado por Garret Dillahunt), uma mulher forte e independente que sabe o que quer, mesmo quando isso é trair a própria família (Zoe Macon, interpretada por Poorna Jagannathan) e o primeiro comparsa que vai servir só para nos colocar em uma linha direta ao conflito principal da narrativa (“Waylon Sanders”, interpretado por Chris Coy).
Para uma história tipo True Detective, como os diretores da série já falaram, esse enredo é o básico e serve propositalmente para construir de forma bem feita o gancho para os próximos episódios e começarmos a descobrir qual será a grande conspiração alienígena desta temporada (o que deve ser melhor assim, para engajar o público-geral sem assustá-los demais com aliens multicoloridos na primeira parte da aventura).
A cola que gruda tudo, principalmente a atenção do público, é a mitologia das histórias já conhecidas destes dois Lanternas adorados pelos fãs e como elas vão se conectar diretamente com um universo já trabalhado por James Gunn em Superman (2025). Essa pegada “Tropa dos Lanternas” ainda é pouco presente no primeiro episódio, só por alguns construtos verdes singelos feitos pelo herói veterano, mas a essência está ali: um bom exemplo disso foi conectar a origem do Hal e a queda de Abin-Sur com a cidade principal da série. Achei isso algo bem inteligente e intrigante, o que nos deixa animados em ver como tudo está conectado e como Hal, apesar de ter alguns planos absurdos, não está fora de seu habitat natural como “o maior Lanterna-Verde de todos os tempos” que conhecemos dos quadrinhos.
E tudo isso culmina na melhor parte deste primeiro episódio (e espero que, da série completa): a interação entre Hal e John. O veterano passa seus momentos aproveitando a glória de ter sido o único Lanterna da Terra em mais de 20 anos, além de esbanjar autoconfiança e carisma, mesmo quando seus planos claramente não são convencionais e muito dos seus sucessos (usando termos de D&D) são uns 20 naturais que ele rolou na pura sorte - e isso é visto nas suas ações, como não atualizar sua consciência no anel em mais de 10 anos ou tratar muitas coisas com simplicidade e desdém: ele não se importa mais tanto com o título e com o uniforme, apenas vive a vida do seu jeito. Portanto, a questão que fica é que Hal já tem posse o anel (mesmo com o incômodo que a responsabilidade do item lhe traz), mas o que ele seria sem isso, agora que o herói claramente já não está mais no seu auge?
Por outro lado, Stewart serve muito bem para o papel de “policial mal” ao lado de Jordan e sempre se porta como um soldado respeitável, mostrando à todo o momento o quão “bom” ele pode ser e o quão resiliente é a sua força de vontade através da ambição pelo posto de guardião do setor 2814, querendo se provar como um Lanterna melhor do que o Hal (mesmo sem saber usar o anel) e mostrar que está aonde está porque ele merece estar entre os melhores dos melhores - mesmo que ele dê umas escorregadas de principiante neste começo da jornada.
John vira uma mistura de “querer fazer o certo por ser certo” com “querer fazer melhor do que Jordan para ganhar o posto dele”, enquanto que Hal vive um dilema interno de “estou tranquilo sendo quem eu sou, mesmo estando cansado de tudo isso” e “tenho que mostrar para esse novato que meu lugar ainda é aqui, e eu só saio daqui se eu quiser”. Hal e John só estão treinando juntos hà 2 meses, e mesmo que Hal esteja em maus lençois com os Guardiões (ainda não sabemos o porquê disso), a rivalidade entre os dois já se mostra muito presente desde os trailers, e espero que isso seja bem desenvolvido no decorrer desta temporada, porque do pouco que já vimos neste primeiro episódio, as expectativas só ficam cada vez mais altas.
Antes de qualquer spoiler, já pergunto: o que achou deste primeiro episódio de Lanternas? Curtiram as interpretações de Kyle Chandler e Aaron Pierre? Não deixe de seguir nosso conteúdo aqui no blog do BansPodNerd e nos acompanhar nas redes sociais!
SPOILERS A PARTIR DAQUI
Sabemos que a série vai tratar Jordan e Stewart como protagonistas e concorrentes do cargo de Lanterna-Verde da Terra, mas no final deste episódio já sabemos quem sai vitorioso: nenhum dos dois.
Em 2026, Hal está morto e John (que ainda não virou um Lanterna-Verde) encontra o corpo dele sem o anel. A decisão criativa de tirar "O" Hal Jordan do futuro do DCU, apesar de ter sido vazada alguns meses antes da série começar, é devidamente polêmico - especialmente depois que este personagem merecia mais “respeito” depois do seu sumiço nos anos que se seguiram desde o lançamento do filme de 2011, com Ryan Reynolds - mas é inegável que esse será um dos principais mistérios desta temporada, e estou devidamente pronto para isso!
Vamos descobrir em tempo real três mistérios importantes nestes 8 episódios: primeiro, qual o dilema dos assassinatos na cidade de Rushville, em Nebraska, e como os Caçadores Cósmicos (ou Manhunters) estarão envolvidos nessa loucura (como já vimos graças à spoilers dos trailers finais); segundo, qual foi o “crime” que Hal cometeu e que incentivou os Guardiões de Oa à colocarem John como “futuro herdeiro” do anel de Jordan, já que esse claramente é o plano dos “chefes da polícia espacial”; terceiro, quem matou Hal Jordan e qual o paradeiro do anel do Lanterna-Verde que seria destinado à John Stewart? Claramente não foi o Guy Gardner, já que seu anel é diferente, mas quem poderia ter sido, e como o maldito do Gardner vai entrar nessa palhaçada toda? Até semana que vem!


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